Plano Safra 2026/2027 reduz custeio e mantém pressão sobre crédito rural
Setor agrícola expressa preocupações com o Plano Safra 2026/2027 devido à redução de recursos e rigor no crédito.
A safra 2026/2027 inicia com um alerta no campo sobre a disponibilidade e as condições do crédito rural. O Plano Safra prevê um total de R$ 610,3 bilhões, sendo R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões à agricultura familiar. Apesar do aumento nominal em relação aos R$ 594,4 bilhões da safra anterior, representantes do setor consideram que os recursos e as condições de financiamento continuam insuficientes para atender às necessidades do campo.
Um dos principais pontos de preocupação é a redução dos recursos destinados ao custeio, que totalizam R$ 384,9 bilhões nesta temporada, refletindo uma queda de 7,18%. Essa linha de crédito é crucial, pois financia despesas diretas relacionadas ao plantio, como sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos essenciais.
Além disso, a composição do valor total anunciado pelo governo é motivo de questionamento. O montante divulgado inclui R$ 38,5 bilhões de fontes que não eram contabilizadas em planos anteriores, o que gera incertezas sobre a real disponibilidade desses recursos para os agricultores.
A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina, destacou que o plano atual não resolve o problema do endividamento rural, levantando a questão da importância de garantir o acesso ao crédito na próxima safra. O endividamento crescente tem gerado um ambiente financeiro pressionado, com a inadimplência alcançando níveis recordes.
De acordo com análises de especialistas, instituições financeiras podem adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito, dificultando ainda mais o acesso aos recursos. Embora as taxas de juros tenham recuado entre 0,5 e 1,5 ponto percentual, elas permanecem altas, com algumas linhas chegando a 12,5% ao ano. O orçamento para equalização dos juros aumentou mais de 35%, mas a redução efetiva para os produtores foi limitada.
A atual taxa Selic, fixada em 14,25% ao ano, dificulta cortes mais amplos, mantendo altos os custos do crédito rural. Com a combinação de menos recursos para custeio, juros elevados e maior rigor na concessão de crédito, o cenário do Plano Safra 2026/2027 gera questionamentos sobre a viabilidade de financiamento para a próxima temporada agrícola.
