Plataformas de apostas Polymarket e Kalshi se tornam populares entre a direita como alternativa às pesquisas eleitorais no Brasil

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Especialistas alertam que sites de apostas não são indicativos confiáveis para eleições.

Apesar da proibição, plataformas de apostas continuam a ser usadas nas redes sociais brasileiras como um termômetro político, sugerindo uma alternativa às pesquisas eleitorais tradicionais. No entanto, especialistas afirmam que esses sites não oferecem uma estimativa precisa das intenções de voto ou do cenário eleitoral.

Essa narrativa é impulsionada, em grande parte, por políticos e influenciadores de direita, que apresentam os dados das apostas como contraponto às pesquisas, alegando que o senador Flávio Bolsonaro lideraria a corrida presidencial. Uma análise de publicações em redes sociais revelou um aumento nas menções a plataformas como Polymarket e Kalshi, especialmente após sua proibição.

A pesquisa identificou que as postagens mais engajadas sobre essas plataformas estão ligadas a figuras do bolsonarismo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, fez um post afirmando que o governo bloqueou o Polymarket para ocultar a liderança de Flávio Bolsonaro, recebendo milhares de interações.

Três dias depois, o empresário Paulo Figueiredo também comentou sobre a proibição, alegando que as plataformas têm um histórico de acerto de 90% em previsões eleitorais. Contudo, o cenário mudou no final de maio, quando postagens destacando uma “virada” de Lula passaram a ter maior engajamento.

Na última semana de maio, contratos relacionados à eleição presidencial de 2026 na Polymarket movimentaram cerca de US$ 86,8 milhões, com Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos liderando as transações.

Lula tinha cerca de 44% de chances de vitória, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 28%, e Renan Santos com 13%. Como o acesso a essas plataformas está bloqueado no Brasil, muitos usuários recorrem a VPNs para contornar essa restrição.

‘Pesquisa e mercado de apostas respondem perguntas diferentes’

Especialistas ressaltam que o mercado de apostas e as pesquisas eleitorais medem fenômenos distintos. A pesquisa eleitoral busca estimar a intenção de voto, enquanto as plataformas de apostas calculam a probabilidade de um candidato vencer. Essas diferenças resultam em dados que não são comparáveis.

A presença de um candidato com 40% ou 50% no Polymarket não indica sua intenção de votos, mas sim a probabilidade de vitória com base nas apostas feitas pelos usuários.

Além disso, o mercado de apostas reage rapidamente a novas informações, enquanto as pesquisas exigem tempo para coleta e análise de dados. Isso pode levar a situações em que investimentos em apostas são feitos com base em informações privilegiadas, o que não acontece nas pesquisas tradicionais.

Quem aposta — e quem ganha

A rapidez das plataformas em reagir a novos fatos pode ser uma vantagem, mas também apresenta riscos. Análises mostram que muitas contas na Polymarket que apostaram valores significativos acabaram perdendo dinheiro, enquanto uma pequena fração dos usuários concentra a maioria dos lucros.

Empresas com equipes especializadas têm maior sucesso nessas plataformas, utilizando dados em tempo real e inteligência artificial para embasar suas apostas. Isso sugere que o que é vendido como um “termômetro coletivo” pode, na prática, refletir mais o comportamento de operadores sofisticados do que a intuição pública.

Além disso, há o risco de manipulação de informações, onde apostadores com acesso antecipado a eventos podem influenciar as probabilidades. Essa dinâmica não ocorre nas pesquisas eleitorais, que seguem métodos rigorosos para garantir a precisão dos resultados.

Por que as plataformas foram proibidas no Brasil

O governo brasileiro bloqueou as plataformas de apostas com base em uma resolução do Conselho Monetário Nacional, que argumentou que essas apostas não deveriam ser tratadas como derivativos regulares. O ministro Dario Durigan enfatizou que o setor passou por um período de anarquia e que as apostas em eventos não regulamentados não são aceitáveis no país.

Embora as apostas em eventos esportivos sejam permitidas, a pressão para bloquear plataformas de previsão veio também do mercado regulado, que argumentou que essas empresas não deveriam operar no Brasil sem a devida regulamentação. A fundadora da Kalshi mencionou planos de expansão, incluindo a possibilidade de abrir um escritório no Brasil.

Para especialistas, o problema central é regulatório, uma vez que as plataformas

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