Polícia apreende R$ 740 mil em propriedade de assessor de Milton Leite
Polícia Civil apreende R$ 740 mil em operação contra ex-assessor de Milton Leite em Sorocaba.
A Polícia Civil realizou na última sexta-feira (18) uma operação em Sorocaba, onde apreendeu cerca de R$ 740 mil em espécie, incluindo R$ 280 mil e US$ 89 mil, em um imóvel relacionado a um ex-assessor de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
As autoridades estavam em busca do político, que se encontrava foragido mais de 24 horas após o início da operação que investiga possíveis ligações de Leite com o Primeiro Comando da Capital (PCC) através de empresas de transporte da região. O ex-vereador se apresentou e foi preso na tarde do mesmo dia em Mogi das Cruzes.
Durante a operação em Sorocaba, os policiais foram informados de que Leite havia estado no local na quarta-feira, um dia antes das diligências, mas que já havia deixado o imóvel na sexta.
Em uma conversa telefônica, Milton Leite afirmou estar fora de São Paulo e que se entregaria em até 24 horas, negando qualquer irregularidade. Ele se disse em contato com seus advogados para se organizar.
A operação, que envolveu o Ministério Público e a Polícia Civil, resultou na prisão temporária de 16 pessoas e na autorização de buscas em 18 endereços em diversas cidades, incluindo São Paulo e Santos.
Segundo a decisão que autorizou as diligências, Leite é apontado como “o dono de fato” da Transwolff, uma empresa acusada de lavar dinheiro para o PCC. A empresa nega qualquer envolvimento com a facção criminosa, assim como o ex-vereador, que é considerado o responsável pela operação da firma.
As acusações contra Leite se baseiam em declarações de terceiros, incluindo uma conversa entre um empresário e um advogado, além de uma mensagem de um sargento da polícia que o identificou como “chefe”.
Milton Leite e a Transwolff negam qualquer relação. A assessoria de imprensa da empresa declarou que o ex-vereador nunca teve participação societária ou gerencial na Transwolff, e que as alegações são infundadas.
Nos documentos da polícia e da Promotoria, não foram encontrados pagamentos ou vínculos formais entre Leite e as empresas sob investigação.
Entre os detidos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, cuja defesa afirma não ter acesso aos autos e que ele não possui antecedentes criminais.
Esta investigação é um desdobramento da operação Decúrio, realizada em agosto de 2024, que identificou pelo menos 12 empresas de transporte na capital paulista supostamente controladas pelo PCC.
A Prefeitura de São Paulo declarou estar colaborando com o Ministério Público e que o prefeito Ricardo Nunes criou um grupo de trabalho para analisar a situação e considerar intervenções na A2 Transporte, que também nega qualquer envolvimento com o crime organizado.
Milton Leite, que foi vereador por sete mandatos e é o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, atualmente apoia as candidaturas de seus filhos, Alexandre Leite para deputado estadual e Milton Leite Filho para deputado federal.