Polícia Civil do Rio Grande do Sul realiza operação contra uso de drones para apoiar presidiários
Operação “Ícaro” desmantela organização criminosa que usava drones em presídios gaúchos.
Uma grande ofensiva da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, realizada na manhã de terça-feira (31), resultou na prisão de quatro suspeitos e na execução de oito ordens de busca e apreensão em diversas cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.
A operação, chamada “Ícaro”, teve como foco uma organização criminosa que utilizava drones para enviar armas, drogas e celulares para dentro de presídios. As ações ocorreram em Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Gravataí e Eldorado do Sul, onde foram apreendidos veículos, computadores e telefones utilizados no esquema.
A investigação teve início após um flagrante em outubro de 2024, quando um suspeito foi detido com um drone e pacotes de produtos ilegais em uma área de mata próxima ao Complexo Prisional de Canoas. Embora o operador tenha conseguido escapar, um recibo de compra do drone levou à identificação do criminoso.
O primeiro detido confessou sua participação, revelando que recebia R$ 400 por ação e que o grupo operava de forma itinerante, mudando constantemente de local para evitar a detecção.
Os drones utilizados eram de modelos potentes e silenciosos, capazes de transportar até meio quilo de produtos ilegais por voo. Segundo as investigações, pelo menos quatro municípios foram beneficiados com o envio de itens proibidos, incluindo Sapucaia do Sul e Charqueadas.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo atuava como uma “terceirização do crime”, prestando serviços a organizações criminosas e favorecendo um detento de alta periculosidade que coordenava as operações de dentro da cela, utilizando um celular.
A estrutura do crime contava com membros responsáveis pela logística, como a companheira do líder, que organizava os malotes e pagava pelos transportes. A Delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Canoas, expressou preocupação com o volume de drones interceptados, questionando quantas substâncias ilícitas já teriam chegado aos detentos sem serem detectadas.
O delegado Cristiano Reschke, da 2ª Delegacia de Polícia da Região Metropolitana, enfatizou que os drones se tornaram uma ferramenta eficaz e cada vez mais comum para o crime, desafiando as medidas de segurança tradicionais nos presídios.
