Polícia Federal investiga presidente do PL sobre valores relacionados ao Pres Valdemar
Investigação da Polícia Federal envolve presidente do PL em supostas irregularidades com emendas parlamentares.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está sob investigação da Polícia Federal após a análise de mensagens encontradas no celular de Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira. As comunicações indicam que Costa Neto teria influência na destinação de recursos de pelo menos 21 emendas parlamentares, mesmo sem ocupar um cargo eletivo.
As mensagens foram descobertas durante a primeira fase da Operação Transparência, que começou em dezembro de 2025. A operação visa investigar possíveis irregularidades no uso de recursos oriundos do orçamento secreto.
Com base nas informações coletadas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, decidiu suspender os recursos relacionados às emendas e bloquear os bens de Valdemar até o limite do valor investigado.
Na sua decisão, Dino ressaltou que as mensagens revelam a existência de um arranjo informal envolvendo servidores da Câmara dos Deputados, que trocavam planilhas e discutiam ajustes nas cidades beneficiadas, áreas de aplicação e valores das emendas. Valdemar é mencionado diretamente nas conversas, além de ser referenciado pela sigla “VCN”.
Um dos diálogos analisados pela PF inclui Garigham Amarante Pinto, advogado que ocupava um cargo na liderança do PL. Em uma mensagem, ele expressou acreditar que Valdemar direcionaria R$ 24 milhões para o setor de turismo, reforçando essa orientação em outra comunicação.
Garigham questionou Mariângela sobre o valor que tinha sido definido pelo presidente do PL, e a ex-assessora respondeu que seria ótimo trocar tudo por turismo, indicando uma possível manipulação nas indicações de emendas.
Ao examinar o conteúdo, Dino observou que a lista de municípios e CNPJs enviada por Garigham poderia estar relacionada aos R$ 24 milhões mencionados, que supostamente seriam indicações de Valdemar.
A PF também encontrou conversas em que servidores relataram dificuldades para alterar destinos já definidos, com indícios de que Valdemar resistia a mudanças, mesmo diante de obstáculos técnicos.
Em outro trecho da decisão, a investigação sugere que, em pelo menos uma ocasião, as indicações estariam ligadas a promessas de valores provenientes da cota da Mesa Diretora, indicando uma articulação em níveis superiores da estrutura da Câmara.
Dino justificou a suspensão das emendas como uma medida de proteção ao dinheiro público, visando garantir a moralidade administrativa e as normas que regem a atividade financeira pública.
A defesa de Valdemar Costa Neto manifestou surpresa com a decisão e alegou que o ministro se baseou em premissas frágeis e inferências subjetivas, além de uma indevida criminalização da atividade político-partidária.
Os advogados sustentaram que não existem provas que comprovem a participação consciente do presidente do PL em qualquer irregularidade, afirmando que é natural que um presidente partidário dialogue com parlamentares e influencie politicamente na bancada.
A investigação teve início com Mariângela Fialek, considerada um dos principais alvos da Operação Transparência. A PF suspeita que ela tenha atuado na organização e encaminhamento de emendas ligadas ao orçamento secreto.
Os investigadores acreditam que Mariângela controlava indicações desviadas de emendas, beneficiando uma possível organização criminosa voltada para desvios funcionais e crimes contra a administração pública.
Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, com base na suspeita de que ele utilizou servidores da Câmara para direcionar emendas do orçamento secreto.
