Polícia gaúcha desmantela esquema de golpe do falso executivo
Polícia Civil realiza operação contra estelionato eletrônico em mais de um estado
A Polícia Civil gaúcha deflagrou, na manhã de terça-feira (9), a Operação Interface com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida em estelionatos eletrônicos, utilizando o golpe conhecido como “falso executivo”.
Foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão, além de 27 mandados de prisão nas regiões do Mato Grosso e Rio Grande do Norte. A operação resultou na prisão de seis indivíduos e no bloqueio de contas bancárias vinculadas aos alvos. Durante as ações, foram apreendidos veículos, motos, celulares, chips e a quantia de R$ 15 mil em espécie.
A operação foi liderada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça e das Polícias Civis do Mato Grosso e do Rio Grande do Norte.
A organização criminosa causou um prejuízo de R$ 193,6 mil a uma empresa do setor industrial em Canoas. Os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens para se passar por executivos, induzindo funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias para contas sob seu controle.
Uma das vítimas foi uma assistente financeira que, em 2025, recebeu mensagens que pareciam ser do presidente da empresa. O executivo estava em viagem e frequentemente pedia pagamentos via mensagem, o que não levantou suspeitas na funcionária.
Seguindo as instruções recebidas, a assistente efetuou transferências para contas indicadas pelo falso executivo. Apenas dois dias depois, ao notar a quantidade e a rapidez dos pagamentos, ela desconfiou e, ao verificar o número de telefone utilizado, percebeu que não era o verdadeiro do presidente.
Com a denúncia registrada, a investigação teve início para identificar os responsáveis. As apurações revelaram que a fraude se originou no Mato Grosso, especificamente em Cuiabá, uma região conhecida por crimes semelhantes.
A investigação também desvendou a estrutura da organização criminosa, composta por diversos papéis, como os “conteiros”, que disponibilizavam suas contas para o recebimento dos valores, e os “tripeiros”, que recrutavam esses titulares em troca de comissões. O executor e o idealizador do golpe foram identificados como indivíduos com um extenso histórico criminal.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos utilizavam uma estratégia de pulverização financeira, fragmentando os valores e dispersando-os em várias contas em diferentes estados, muitas vezes em bancos digitais menores. Essa prática dificulta a recuperação dos valores e o rastreamento dos recursos.
A delegada Luciane Bertoletti ressaltou que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais frequente no ambiente corporativo brasileiro, com criminosos estudando a estrutura das empresas e criando perfis falsos convincentes.
A Polícia Civil recomenda que empresas implementem protocolos rigorosos para confirmar qualquer solicitação de transferência bancária, especialmente em casos de alterações de contas ou pagamentos urgentes. A validação das movimentações financeiras deve ser feita por múltiplos canais de comunicação, sempre que possível, através de contato direto com a pessoa que fez a solicitação.
