Preço da carne bovina no atacado sobe 45% em dois anos e atinge recorde, aponta USP

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Preço da carne bovina atinge recorde histórico na Grande São Paulo.

O preço da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo alcançou um marco histórico neste mês, com um aumento de 45% nos últimos dois anos.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, informou que o preço médio da carcaça casada do boi, que inclui as partes traseira, dianteira e ponta de agulha, é de R$ 25,05.

Esse valor representa o maior registrado desde o início das medições em 2001, superando em 11% o preço do mesmo mês de 2025 e em 45% o de abril de 2024.

O coordenador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho, apontou dois fatores principais para essa elevação de preços: a menor oferta de animais prontos para o abate e o aumento das exportações.

  • Menor oferta de animal pronto para o abate;
  • Aumento de exportações.

Ele explicou que, tradicionalmente, de janeiro a meados de abril, os bovinos são mantidos no pasto devido às condições climáticas favoráveis.

“Há uma oferta mais restrita de animal pronto para o abate. Tradicionalmente, no começo do ano, temos volume de chuva e sol, proporcionando uma condição de pasto mais favorável”, afirmou.

Além disso, a demanda externa tem crescido, com recordes de exportações no ano anterior. O Brasil exportou 3,5 mil toneladas de carne bovina em 2025, em comparação a 2,9 mil em 2024.

“Neste ano, já estamos batendo recordes em janeiro, fevereiro, março e abril, sinalizando um cenário de exportação forte”, acrescentou.

Thiago também destacou a importância da demanda interna, que continua robusta, impulsionada pela preferência do consumidor brasileiro pela carne bovina.

“Apesar do cenário de inadimplência e das preocupações com o orçamento familiar, o brasileiro mantém um consumo relativamente positivo de carne bovina até abril”, declarou.

Cesta básica

Esses aumentos têm um impacto significativo para os consumidores. De acordo com o Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq), o preço da carne de primeira subiu R$ 10 por quilo desde o início do ano, passando de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 em março de 2026.

“As carnes bovinas de primeira e de segunda têm um peso considerável no cálculo da cesta básica. São produtos fundamentais”, disse Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq.

Ele prevê que os preços devem continuar a subir nas próximas semanas. Neste momento de alta, a tendência é que os consumidores optem por proteínas alternativas, como frango, peixe e embutidos.

“É um peso grande, mas que pode ser substituído”, concluiu Carlos, que também é delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo em Piracicaba.

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