Primeiro quiosque de praia da história surge em meio a tragédia de marinheiros na Espanha

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A origem das barracas de praia remete a um naufrágio trágico.

Quando a fome aperta à beira-mar, a busca por um quiosque para um petisco se torna comum. Entretanto, poucos sabem que esse costume popular surgiu de um evento trágico: o naufrágio de um navio em 1752.

Na noite de 1º de fevereiro de 1752, uma tempestade devastadora afundou o San Francisco de Asís, conhecido como Soberbio, próximo à praia de La Barrosa, entre as torres del Puerco e Bermeja. A embarcação encalhou a poucos metros da areia, e a notícia do desastre chegou a Cádis na mesma noite.

Antes do amanhecer, representantes oficiais e um capataz, Matías Capolino, organizaram a instalação de barracas junto à Torre del Puerco. Assim, iniciava a operação de resgate mais longa da costa gaditana, que, sem que ninguém soubesse, seria o início do comércio de praia mais antigo da Espanha.

Um navio, duas vidas

O Soberbio, construído em 1738, era de propriedade de Guillermo Terry, um armador de Cádis com raízes irlandesas. A embarcação estava carregada de riquezas quando partiu em 11 de dezembro de 1751, mas a tempestade a lançou contra os recifes entre Chiclana e Conil.

Com 166 tripulantes a bordo, o desespero tomou conta quando todos se afogaram, pois nenhum deles sabia nadar. O naufrágio não apenas custou o navio a Terry, mas também não afetou sua considerável fortuna.

A corrida pelo saque na praia

Moradores de Chiclana e Conil correram para a praia de La Barrosa, saqueando os destroços e até os corpos dos tripulantes. A situação se tornou caótica, exigindo a intervenção armada de um cabo para controlar a multidão.

Após o caos inicial, as autoridades ofereceram uma recompensa de 8% do valor recuperado para quem devolvesse os bens encontrados. O mau tempo persistiu até 9 de fevereiro, quando as primeiras embarcações conseguiram se aproximar dos destroços.

O acampamento que virou atração turística

A operação de resgate se estendeu por um ano. Naquela época, La Barrosa era um local desabitado, e a água potável era transportada de Chiclana. Após a descoberta de nascentes locais, surgiram rumores sobre suas propriedades curativas, criando um tipo de turismo termal primitivo.

O que começou como uma tragédia se transformou em uma oportunidade de negócios. Um acampamento com dez barracas foi erguido, abrigando cerca de 200 pessoas e criando empregos para militares e mergulhadores que vinham para ver o navio afundado.

A primeira “barraquinha” de praia da história

Um dos cozinheiros, Bautista Pesero, foi contratado para alimentar os trabalhadores. Reconhecendo a demanda, ele decidiu construir uma segunda barraca ao lado da oficial, oferecendo liberdade de preços e produtos.

Não há registros de queixas sobre a comida, indicando que Pesero não apenas era um bom empresário, mas também um excelente cozinheiro. Os mantimentos incluíam pão, carne, ovos, e até produtos frescos de pescadores locais.

A base culinária consistia em pratos simples e caseiros, e o acampamento foi desmantelado após a morte de Capulino, em 1753, com 91% das moedas recuperadas.

Um achado arqueológico fortuito

Séculos depois, um projeto arqueológico na praia de La Barrosa resultou na instalação de sinalizações que destacam a história do naufrágio. A Prefeitura de Chiclana, em parceria com especialistas, transformou o local em um museu a céu aberto.

A historiadora que investigou o Soberbio fez descobertas significativas enquanto realizava pesquisas documentais, revelando a relevância histórica do evento.

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