Primeiro turno: Lula e Flávio enfrentam disputa marcada pela rejeição
A polarização no Brasil é marcada mais pela rejeição ao adversário do que pela identificação positiva com o próprio grupo.
Para compreender a polarização no Brasil, é essencial analisar não apenas a identificação dos eleitores com figuras como Lula ou Flávio Bolsonaro, mas também a motivação para afastar o outro lado do poder.
O conceito de polarização afetiva destaca que a hostilidade em relação ao grupo oposto pode ser mais intensa do que a própria identificação com o grupo de afinidade. Isso significa que muitos indivíduos se definem mais como antipetistas ou antibolsonaristas do que como apoiadores de um partido específico.
Dados de uma pesquisa recente revelam que, entre os eleitores de Bolsonaro, 53% se consideram anti-PT, enquanto apenas 19% se identificam como bolsonaristas. No caso dos eleitores do PT, 88% se declaram anti-Bolsonaro, mas apenas 8% se identificam como petistas. Esses resultados, embora não representem toda a população eleitoral, indicam uma tendência de identificação negativa prevalente.
Além disso, uma análise de dados sobre ideologia e posições políticas entre 1989 e 2019 mostra que não houve evidências de polarização ideológica significativa no eleitorado brasileiro. Os grupos de esquerda e direita mantiveram uma sobreposição considerável em suas posições, sugerindo que a divisão atual é mais emocional, baseada na rejeição ao adversário do que em diferenças ideológicas profundas.
Com as eleições de 2026 se aproximando, as intenções de voto entre Lula e Flávio Bolsonaro mostram uma disputa acirrada. Pesquisas recentes indicam uma queda na diferença de votos entre os candidatos, refletindo um cenário em que ambos enfrentam altos índices de rejeição. Em uma pesquisa, 45% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto uma porcentagem semelhante se aplicou a Flávio.
Esses dados revelam que a rejeição é uma força significativa nas decisões eleitorais. Em uma pesquisa, 35% dos eleitores de Flávio afirmaram que votariam nele para evitar a eleição de outro candidato, em comparação com 18% dos eleitores de Lula que compartilham da mesma motivação. Isso sugere que a estratégia de voto útil pode ser crucial em um cenário eleitoral polarizado.
Minha análise para as eleições de 2026 aponta que a rejeição pode influenciar mais as decisões de voto do que a identificação positiva com os candidatos. Com a presença de outras candidaturas, muitos eleitores que se opõem ao governo Lula podem ser persuadidos a concentrar seus votos em Flávio no primeiro turno. No segundo turno, a rejeição ao adversário pode ser ainda mais determinante, levando os eleitores a escolherem não necessariamente quem preferem, mas quem consideram menos problemático.
Embora as pesquisas não possam prever com precisão o resultado das eleições, os dados sugerem que a rejeição desempenha um papel crucial nas escolhas dos eleitores, refletindo a força do antipetismo e do antibolsonarismo. Essa dinâmica pode ser decisiva em um eventual segundo turno, onde a escolha entre os candidatos se torna ainda mais crítica.