Processo de produção da cerveja: do lúpulo à levedura até o copo
Lúpulo da cerveja é parente da cannabis e depende de luz artificial no Brasil
Celebrado nesta sexta-feira (7), o Dia Internacional da Cerveja é uma oportunidade para explorar o percurso da bebida até chegar ao copo. Desde a produção do lúpulo até o trabalho da levedura, cada etapa influencia o sabor, aroma e as características finais da cerveja.
Um dos maiores desafios da produção nacional é o cultivo do lúpulo, uma das principais matérias-primas da bebida. A planta exige longos períodos de luminosidade para se desenvolver, uma condição comum em países como Estados Unidos e Alemanha durante o verão, mas rara no Brasil.
Para superar esse desafio, os produtores brasileiros utilizam iluminação artificial para “enganar” a planta, simulando dias mais longos e estimulando seu crescimento.
Além de ser um ingrediente essencial da cerveja, o lúpulo também chama a atenção por pertencer à mesma família botânica da cannabis, a Cannabaceae. No entanto, as semelhanças entre as duas plantas são limitadas.
“O lúpulo não contém THC, que é a substância psicoativa da maconha. Portanto, não provoca o efeito entorpecente associado à cannabis”, esclarece um produtor.
De acordo com o especialista, o lúpulo proporciona apenas um efeito relaxante e seu cultivo é legal no Brasil.
A parte mais valiosa do lúpulo é a flor, que contém pequenos grãos dourados chamados lupulina. Estes grãos são responsáveis pelo amargor e pelos aromas característicos da cerveja, além de fornecer os óleos essenciais utilizados na produção da bebida.
Após a colheita, as flores passam por um processo cuidadoso. Elas não podem ser lavadas para evitar a oxidação. Em seguida, são limpas manualmente e secas, um processo que reduz a umidade natural da flor e leva entre 16 e 20 horas.
Durante a fabricação da cerveja, o lúpulo é frequentemente utilizado na forma de pellets, um formato que facilita sua incorporação ao processo.
Embora o lúpulo seja um dos ingredientes mais conhecidos, ele não é o único componente da cerveja. A base da maioria das receitas é o malte pilsen, conhecido como malte claro ou malte base. Nas cervejas classificadas como puro malte, a bebida é feita apenas com malte, sem adição de outros cereais.
Além do malte de cevada, é possível utilizar malte de trigo, que é a base das tradicionais cervejas de trigo. Outras receitas podem incluir ingredientes conhecidos como adjuntos cervejeiros, como milho, arroz, centeio e sorgo.
Na fábrica, os grãos são moídos e misturados à água para formar um líquido adocicado chamado mosto. Apesar de toda a tecnologia envolvida, essa etapa ainda não resulta na cerveja.
“Nós, enquanto cervejeiros, não fazemos cerveja. A gente faz mosto. Quem faz a cerveja é a levedura”, afirma um especialista.
Após um período de descanso e resfriamento, o mosto é inoculado com levedura, o microrganismo responsável pela fermentação. É essa levedura que consome os açúcares do líquido e os transforma em álcool, gás carbônico e diversos compostos que conferem sabores e aromas à bebida.
Esse processo de fermentação leva entre 15 e 20 dias. Após esse período, a cerveja é envazada, recebe tampa e rótulo, e é armazenada em uma câmara fria para preservar seu frescor.
Uma dúvida comum entre os consumidores é se existe diferença entre cerveja e chopp. No Brasil, a cerveja é geralmente a bebida pasteurizada, que passa por um aquecimento para aumentar sua durabilidade, enquanto o chopp não é submetido a esse processo.
Na cervejaria onde um especialista trabalha, a opção é não pasteurizar a bebida.
“Queremos manter essa cerveja o mais fresca possível”, diz ele. Embora a pasteurização aumente o tempo de conservação, o processo reduz parte do frescor que caracteriza a bebida.
Entre os diversos estilos produzidos no Brasil, a p
