Procurador-geral irá investigar delação de empresários sobre PCC e corrupção em órgãos públicos

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Operação Carbono Oculto pode levar a delações sobre corrupção em São Paulo.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo deve tomar uma decisão na próxima semana sobre um possível acordo de delação premiada com dois empresários foragidos, que estão envolvidos na Operação Carbono Oculto. Essa investigação foca na atuação do PCC no setor de combustíveis.

A negociação para delação começou há alguns meses, mas ainda não há um consenso. Fontes indicam que os empresários possuem informações valiosas sobre corrupção em diversas esferas do governo, incluindo administrações estaduais e municipais, além do Congresso e do Judiciário.

Dois fatores estão dificultando o avanço da colaboração. Promotores de cidades como São José do Rio Preto e Piracicaba exigem provas concretas e estão preocupados com vazamentos durante as negociações. Eles se opõem a pressões externas para apressar o acordo.

Além disso, a recente eleição do Ministério Público alterou a dinâmica das promotorias. O atual procurador-geral está em campanha para sua reeleição, o que pode ter adiado a decisão sobre a delação.

A eleição ocorrerá em breve, e a expectativa é de que o procurador-geral seja reconduzido ao cargo. Isso poderá impactar a análise da proposta de delação, que inclui informações sobre conexões entre os empresários e o PCC.

Os empresários negam qualquer ligação com a facção criminosa, mas afirmam estar dispostos a revelar evidências de corrupção envolvendo parlamentares e autoridades, caso consigam um acordo.

No ano passado, eles procuraram a Procuradoria-Geral da República, alegando ter informações que poderiam implicar políticos em um esquema de propinas no setor de combustíveis, mas a negociação não avançou.

Em janeiro, eles se dirigiram ao Ministério Público paulista, oferecendo documentos e mensagens que comprovam irregularidades em órgãos públicos. Além disso, se comprometeram a pagar multas significativas por sonegação fiscal, que podem totalizar centenas de milhões de reais.

Os empresários apresentaram uma proposta detalhada, incluindo anexos que documentam uma série de ilícitos, com nomes e instituições envolvidas.

Um dos anexos destaca uma suposta “corrupção estruturada” na Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo, que, segundo os empresários, existe há décadas. Eles relataram um esquema que foi exposto pela Operação Ícaro, que investigou práticas ilegais relacionadas ao ICMS.

Os empresários responderam a um extenso questionário dos investigadores, mas algumas respostas geraram dúvidas sobre a veracidade de suas alegações.

O procurador-geral afirmou que a menção a políticos e autoridades não impede ações do Ministério Público, que visa responsabilizar todos os envolvidos em atividades criminosas.

Qualquer pessoa implicada nesse esquema terá que enfrentar as consequências legais, conforme afirmado pelo procurador-geral.

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