Produção da indústria gaúcha apresenta recuperação parcial em março

Compartilhe essa Informação

Indústria do Rio Grande do Sul mostra sinais de recuperação após meses de queda.

A produção da indústria do Rio Grande do Sul apresentou um crescimento em março, depois de quatro meses consecutivos de declínio. O índice subiu para 53,1 pontos, indicando uma recuperação parcial na atividade produtiva, conforme dados da pesquisa Sondagem Industrial do RS.

Claudio Bier, presidente do Sistema FIERGS, destaca que essa recuperação é um reflexo da resiliência dos empresários locais. Ele menciona que, apesar das dificuldades da economia brasileira e do cenário internacional, os industriais gaúchos continuam apostando no desenvolvimento do estado, com uma leve alta na intenção de investimentos observada neste mês.

No entanto, os entrevistados na pesquisa identificaram diversos obstáculos para o progresso do setor. As altas taxas de juros foram mencionadas por 40,4% das empresas, enquanto 38,2% apontaram a demanda interna insuficiente como um problema. Além disso, 30,9% das indústrias referiram a carga tributária elevada como um entrave significativo.

Outro desafio relevante é a falta ou o alto custo da matéria-prima, que aumentou em 14,5 pontos percentuais em relação ao último trimestre de 2025, sendo citada por 25% dos entrevistados. Este aumento nos preços das matérias-primas é o mais significativo desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, gerando preocupações sobre os custos de produção.

Além disso, Bier comenta sobre a influência dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços dos insumos, o que tem impacto direto no custo operacional das empresas. A pesquisa também revelou que o índice de número de empregados permaneceu abaixo da linha de 50 pontos por dez meses consecutivos, atingindo 49 em março, sinalizando uma queda no emprego. Por outro lado, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu para 68%, ainda abaixo da média histórica.

Em termos de estoque, o indicador atingiu 52,1 pontos, indicando volumes acima do que as empresas consideram desejável. Em abril, as expectativas em relação à demanda, emprego e compras de matérias-primas apresentaram um recuo em comparação a março, embora as exportações tenham avançado.

O índice de demanda caiu 1,5 ponto, estabelecendo-se em 50,6, ainda acima de 50, sugerindo uma perspectiva levemente otimista para os próximos meses. Entretanto, o emprego caiu de 49,8 para 47,8 pontos, e as compras de matérias-primas diminuíram de 51,5 para 49,3, sinalizando um viés pessimista. O avanço das exportações, embora tenha crescido 0,5 ponto para 49,6, permanece abaixo de 50, indicando uma expectativa de recuo.

Por outro lado, a intenção de investimento apresentou um aumento de 0,7 ponto, subindo para 51,8, ainda levemente abaixo da média histórica de 52 pontos. Um total de 53,7% dos empresários industriais manifestou a intenção de realizar investimentos nos próximos seis meses, um aumento de 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior.

A pesquisa envolveu 136 empresas, divididas entre 33 pequenas, 41 médias e 62 grandes, e foi realizada entre 1º e 13 de abril.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *