Produtora de ‘Dark Horse’ investe R$ 10 mil em peruca e mais de R$ 700 mil em hotel de luxo
Investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” revelam despesas significativas com a produção.
A Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, que retrata Jair Bolsonaro, apresentou dados financeiros que revelam gastos expressivos durante a produção. Entre os custos, destaca-se o aluguel de uma peruca para o ator Jim Caviezel, que interpretou o ex-presidente, totalizando R$ 10 mil.
Além disso, a produtora arcou com aproximadamente R$ 700 mil em despesas de hospedagem para Caviezel, seu agente e seguranças no hotel Unique, em São Paulo. Esses valores foram confirmados por meio de comprovantes bancários e notas fiscais entregues à Polícia Federal como parte de uma investigação em andamento sobre o financiamento do longa-metragem.
Recentemente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo da investigação, permitindo uma maior transparência sobre os processos relacionados ao caso. A decisão ocorreu após um pedido da Procuradoria-Geral da República, que solicitou a divulgação de todos os inquéritos vinculados ao caso Banco Master.
Os documentos indicam que a locação da peruca ocorreu em 5 de dezembro de 2025, e a Go Up foi identificada como a responsável pelo pagamento, com a descrição “Locação Peruca Jim”. Adicionalmente, seis notas fiscais do hotel Unique totalizaram R$ 663.165,50, mencionando o nome completo do ator, seu agente e um segurança.
Uma transferência significativa de R$ 298.350,49 ao hotel, realizada em 30 de dezembro de 2025, foi registrada sob a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. No entanto, não foram encontradas notas fiscais que detalhassem os serviços prestados, gerando questionamentos sobre a destinação dos recursos.
Outros gastos incluem R$ 54.332,46 para a passagem de Caviezel, além de despesas com manicures que totalizaram R$ 2.045 para atender atrizes do filme. A Go Up também investiu R$ 3.000 na locação de apliques para a personagem de Michelle Bolsonaro e R$ 5.500 em uma peruca para um dublê e um kit de dreadlocks, sem discriminação de preços entre os itens.
A documentação foi enviada à Polícia Federal em resposta a um ofício que solicitava esclarecimentos sobre as finanças do filme, incluindo a origem dos recursos e contratos com profissionais estrangeiros. O produtor Michael Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment, manifestou a intenção de colaborar, mas indicou que documentos mantidos nos Estados Unidos não poderiam ser enviados sem uma ordem judicial americana.
<p"Dark Horse", dirigido por Cyrus Nowrasteh, retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018 e o incidente da facada em Juiz de Fora. O financiamento do filme está sob investigação devido a negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e um banqueiro, com suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Ambos os senadores negam qualquer irregularidade.
Em junho, a defesa da Go Up alegou que a produção foi financiada exclusivamente com recursos privados, apresentando um laudo que indicava um custo total de US$ 13,4 milhões, sem evidências de dinheiro público. No entanto, a análise se limitou aos documentos apresentados, deixando em aberto questões sobre a origem dos fundos utilizados na produção.