Proibição de antimicrobianos pode impactar arroba e pecuaristas recebem respostas de Scot
Ministério da Agricultura deve proibir antimicrobianos no gado brasileiro, impactando a indústria e os pecuaristas.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está se preparando para proibir o uso de antimicrobianos no gado brasileiro, uma medida que vem a pedido da União Europeia. Este cenário gera preocupações sobre quem sairá vitorioso: a indústria farmacêutica ou os frigoríficos? Além disso, os pecuaristas se perguntam como essa determinação afetará os preços do gado.
De acordo com especialistas, o Mapa considerará a proibição apenas se os pecuaristas não cumprirem as normas já estabelecidas sobre o uso de antimicrobianos. A mudança se torna ainda mais crítica, pois a União Europeia já excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, devido a divergências no controle desses produtos.
As substâncias que foram previamente banidas incluem virginiamicina, avoparcina, Bacitracina, Bacitracina de Zinco e Bacitracina Metileno Disalicilato. Essa restrição é um reflexo das preocupações com a segurança alimentar e a saúde pública em mercados internacionais.
Essa situação impactará principalmente os frigoríficos de pequeno e médio porte, que dependem mais do mercado europeu. Eles enfrentarão desafios significativos para se adaptar a essas novas regulamentações, dado que têm menor flexibilidade comercial e logística. Em contraste, grandes grupos frigoríficos, como JBS e Marfrig, têm mais capacidade de adaptação, podendo redirecionar suas operações e atender a mercados em outros países.
Os pecuaristas, por sua vez, terão que implementar protocolos de produção mais rigorosos e garantir a rastreabilidade total do rebanho. Isso pode resultar em custos adicionais consideráveis, além de aumentar a burocracia, o que preocupa muitos produtores que não têm contratos específicos para o mercado europeu.
Preço da arroba do boi gordo
Para o segundo semestre, a expectativa é que o preço da arroba do boi gordo se mantenha em alta, especialmente no quarto trimestre. Apesar da exclusão do Brasil pelo mercado europeu, este representa uma parcela pequena das exportações brasileiras, entre 3,5% e 5%. Os principais compradores ainda são a China e os Estados Unidos, que devem continuar demandando carne brasileira.
Além disso, fatores como o fenômeno El Niño podem influenciar a produção e a oferta de carne em diferentes regiões do Brasil. A demanda interna por proteínas tende a aumentar no final do ano, motivada pelo 13º salário e pelas bonificações de fim de ano, o que pode impactar positivamente os preços.
Embora a União Europeia represente um valor relativamente pequeno em comparação ao total exportado pelo Brasil, a exclusão deste mercado é vista como uma perda estratégica. O mercado europeu, conhecido por pagar um prêmio mais alto por tonelada de carne, é considerado crucial para a imagem sanitária do Brasil, podendo afetar a confiança de outros compradores exigentes, como Japão e Coreia do Sul.
Vai ter o boi Europa
Com a emergência do conceito de “boi China”, já se fala na nomenclatura “boi Europa”, referindo-se a animais cujo manejo é rigorosamente controlado e que seguem as restrições exigidas pela União Europeia. Esses animais, cadastrados em um sistema de rastreabilidade, têm potencial para serem exportados sem as exigências da Cota Hilton.
Tanto o boi Europa quanto o boi China têm a possibilidade de receber um prêmio sobre o preço pago ao produtor, dependendo da época do ano. No entanto, o boi China tem recebido mais atenção no mercado nacional.
Em meio a essas novas regulamentações sobre antimicrobianos, a indústria de nutrição animal já se adapta, oferecendo produtos à base de probióticos e outras alternativas para garantir a saúde intestinal dos animais. Esse movimento é visto como uma transição para um manejo mais responsável e seguro.
Por outro lado, a indústria farmacêutica tem buscado estratégias não para substituir os antimicrobianos, mas para evitar a proibição total de seu uso, propondo que apenas os exportadores para a União Europeia sigam os novos protocolos. Essa divisão poderia permitir que outros segmentos do mercado continuassem a utilizar essas substâncias sem as mesmas restrições.
