Protestos no México Ameaçam a Estabilidade Pré-Copa do Mundo

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Protestos de professores no México exigem melhores salários e aposentadorias às vésperas da Copa do Mundo.

Professores da Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) do México escalaram cercas na tentativa de invadir a Secretaria de Educação Pública (SEP) durante um protesto. O lema “Se não houver solução, a bola não rola” ecoa nas ruas, refletindo a insatisfação da categoria em um momento crítico, com a Copa do Mundo da FIFA de 2026 se aproximando.

No dia 1º de junho, a CNTE anunciou uma greve nacional por tempo indeterminado, exigindo um aumento salarial de 100%. Essa mobilização culminou em uma passeata no centro histórico da Cidade do México, onde milhares de manifestantes bloquearam ruas e se envolveram em confrontos com as forças de segurança. Relatos indicam que um grupo de protestantes invadiu o Ministério da Educação, resultando em um incêndio que exigiu intervenção dos bombeiros.

Os professores também ocuparam a área oficial de torcedores no Zócalo, a praça central da capital, para chamar a atenção para suas reivindicações. A indignação é direcionada às políticas de educação e previdência do governo, que prometeu um aumento salarial de 10% a partir de setembro de 2026, considerado insuficiente pela CNTE.

Atualmente, professores efetivos no México podem ganhar até R$ 6 mil mensais, embora muitos recebam salários significativamente menores devido ao trabalho em tempo parcial. O salário inicial para professores em escolas primárias varia entre R$ 2,4 mil e R$ 4,2 mil, dependendo da região e formação. Entretanto, a média salarial reportada é de apenas R$ 2 mil.

Outro sindicato, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE), está exigindo um aumento salarial de 13% para 2026, refletindo a pressão da inflação nas áreas metropolitanas.

A proximidade da Copa do Mundo não é mera coincidência. O SNTE busca explorar a atenção internacional para aumentar a pressão sobre o governo, que espera receber cerca de cinco milhões de turistas durante o torneio. A festividade no Zócalo, planejada para os dias de jogos da seleção mexicana, está ameaçada pela presença dos professores em greve, levando até o cancelamento de um curso de treinamento da FIFA para voluntários no local.

Durante as coletivas diárias, a presidente Claudia Sheinbaum acusou grupos radicais de tentarem provocar o Estado sob os holofotes internacionais, mas optou por não reprimir os protestos. As negociações estão em andamento, mas o governo já rejeitou as demandas máximas, considerando-as incompatíveis com o orçamento federal.

O descontentamento público cresce à medida que empresários locais e empresas de logística relatam perdas econômicas significativas, estimadas em R$ 119 milhões. Enquanto alguns cidadãos expressam compreensão pelas reivindicações dos professores, outros se sentem reféns das ações do sindicato.

O governo atribui os distúrbios a grupos radicais, com Sheinbaum afirmando que as provocações não refletem a posição da maioria dos professores. A imprensa mexicana, enquanto reconhece a legitimidade das manifestações, apresenta visões divergentes sobre a situação. Críticos, como o jornalista Héctor Aguilar Camín, acusam os professores de perpetuarem uma “pedagogia da violência”, sugerindo que o partido governista teria fortalecido a CNTE para garantir apoio eleitoral.

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