Provedores de nuvem esperam aumento de 32% no faturamento até 2026
Provedores de cloud no Brasil projetam crescimento, mas enfrentam desafios significativos.
A Associação Brasileira de Provedores de Infraestrutura e Serviços Cloud (AbraCloud) revelou os resultados da Pesquisa de Imagem e Identificação de Perfil dos Associados 2026. O estudo indica que os provedores nacionais de cloud esperam um crescimento médio de 32% em seu faturamento para este ano.
Essa projeção representa uma queda de sete pontos percentuais em comparação ao ano anterior, quando o faturamento médio das associadas alcançou R$ 102 milhões. Apesar disso, muitos provedores de cloud computing relataram um crescimento de até 39% em 2025. A pesquisa analisa o cenário estratégico, operacional e financeiro do setor no Brasil, concentrando-se na oferta de nuvem privada e gerenciada.
A redução nas expectativas de crescimento é atribuída a grandes transições tecnológicas em andamento. Uma das principais mudanças foi a alteração nas políticas de licenciamento da VMware após a aquisição pela Broadcom, levando provedores a uma migração acelerada para tecnologias de virtualização open source baseadas em KVM.
Além disso, o setor começou a enfrentar, a partir do meio deste ano, uma escassez de oferta e um aumento significativo nos custos de componentes essenciais, como memórias e servidores de alta performance.
O levantamento também destaca a especialização das empresas nacionais no atendimento ao mercado corporativo. Os serviços de nuvem para empresas são os mais oferecidos, com 96% das associadas, seguidos por serviços gerenciados (81%) e não gerenciados (77%).
A base de clientes é predominantemente composta por médias e pequenas empresas. As médias estão presentes na carteira de 96% dos provedores, enquanto as pequenas representam 92%. Grandes empresas e órgãos públicos correspondem a 65% e 42%, respectivamente. Em média, cada provedor possui 970 clientes ativos, com 40% atendendo entre mil e três mil clientes.
A pesquisa também revela a independência financeira do setor, com 89% dos provedores operando com capital 100% próprio. Além disso, 69% pretendem manter essa independência nos próximos anos. Por outro lado, 35% das empresas já realizaram fusões e aquisições como estratégia de crescimento, e 12% venderam parte de sua carteira de clientes.
No que diz respeito à força de trabalho, as associadas empregam em média 320 colaboradores, número que diminui para 52 ao excluir as grandes empresas. A maioria dos profissionais está concentrada em áreas técnicas, com 62% atuando em Engenharia e Operações, sendo que 73% dos contratos estão sob o regime da CLT.
No âmbito regulatório, as prioridades incluem a consolidação do pacote de incentivos Redata e negociações com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para a redução e padronização das alíquotas do ICMS sobre a infraestrutura de data centers.
A AbraCloud protocolou uma Carta ao Executivo Federal com uma série de demandas, incluindo a prioridade para o Fast Track no Redata, financiamento contínuo pelo BNDES, regulamentação ágil do novo regime especial e a implementação do processamento local de Inteligência Artificial. O objetivo dessas solicitações é garantir a independência digital do Brasil.