Psol solicita abertura de inquérito policial contra Flávio por encontro com Trump
Parlamentares do Psol-Rede denunciam Flávio Bolsonaro por violação da soberania nacional.
Parlamentares da federação Psol-Rede apresentaram uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro, acusando-o de violar a soberania nacional. A bancada solicita a abertura de um inquérito para investigar as ações do pré-candidato do PL à Presidência durante sua recente viagem aos Estados Unidos.
A denúncia surge após o governo norte-americano classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, alterando a sua classificação anterior como organizações criminosas. Essa mudança foi anunciada pelo Departamento de Estado, logo após a visita de Flávio à Casa Branca.
Durante a visita, o senador declarou à imprensa que solicitou pessoalmente ao então presidente Donald Trump a reclassificação das facções. Os autores da representação afirmam que Flávio teria usurpado a competência diplomática do Brasil, resultando em um ato administrativo de um país estrangeiro sobre a soberania nacional.
A mudança na classificação das facções pode ter consequências práticas para o Brasil, incluindo a possibilidade de sanções econômicas a instituições financeiras brasileiras. Além disso, abre a possibilidade de intervenção militar dos Estados Unidos em áreas de atuação dessas organizações, sem a anuência do governo brasileiro.
Os parlamentares do Psol argumentam que não há justificativa para uma interpretação benigna da conduta de Flávio. Eles afirmam que o senador utilizou seu mandato para convidar um governo estrangeiro a intervir nos assuntos internos do Brasil, o que pode impactar diretamente a soberania nacional e a integridade territorial do país.
Histórico familiar
Os autores da representação relembraram que em 2025, o governo dos Estados Unidos impôs sanções a autoridades brasileiras e tarifas de importação ao Brasil, em meio a articulações do ex-senador Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Esse caso está atualmente sob análise no Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com os signatários, o episódio atual revela um padrão de apelo sistemático à interferência de potências estrangeiras nos assuntos internos do Brasil, com motivação política e eleitoral explícita.
Oposição reage
Em resposta, o senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, defendeu o colega. Ele classificou como inaceitável a mobilização de parlamentares para criminalizar esforços de cooperação internacional contra o terrorismo, enquanto o Brasil enfrenta a ameaça de facções criminosas.
Marinho destacou que a soberania nacional deve garantir a segurança dos cidadãos e não proteger aqueles que aterrorizam a população. Ele enfatizou que o foco deve ser a desarticulação das organizações que dominam territórios e afetam milhões de brasileiros.
A nota de Marinho critica a representação do Psol e da Rede, alegando que a esquerda busca usar o Judiciário como extensão de seu projeto político, enquanto ele e seu grupo se concentram em proteger a população da violência e do terror.
