PT assume gestão das redes de Lula para intensificar ataque a adversários
Lula intensifica presença nas redes sociais com nova estratégia política.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a adotar uma abordagem mais combativa nas redes sociais, transferindo a gestão de seus perfis pessoais para o Partido dos Trabalhadores (PT).
Atualmente, as contas são administradas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, mas a mudança permitirá um controle mais direto pelo partido, possibilitando uma atuação política mais incisiva, sem as limitações impostas pelas diretrizes de comunicação do governo federal.
A reestruturação também impacta a equipe de comunicação do governo. O fotógrafo Ricardo Stuckert, que acompanha Lula desde 2003 e ocupa o cargo de secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual, deixará sua função para se dedicar integralmente ao PT.
Stuckert já gerencia a maior parte das redes sociais de Lula, exceto o X, antigo Twitter. Sob a administração governamental, os perfis têm se concentrado em conteúdos relacionados à agenda oficial do presidente.
Com a transferência para o partido, a nova estratégia visa reforçar a imagem política de Lula e intensificar o debate público, em um tom que antecipa uma pré-campanha.
Auxiliares do presidente indicam que a decisão de reformular a comunicação digital foi acelerada pela consolidação do senador Flávio Bolsonaro como um potencial adversário nas eleições de 2026.
No PT, Stuckert trabalhará em conjunto com Nicole Briones, uma especialista em comunicação digital que já coordenou as redes de Lula entre 2017 e 2021.
Nicole, que também tem experiência na EBC, integra a coordenação digital do PT desde outubro de 2025, a convite do presidente da legenda, Edinho Silva.
A nova estratégia digital já começou a ser implementada nas plataformas do PT, que têm intensificado publicações associando Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Esse tema ganhou destaque após a divulgação de conversas que envolvem pedidos de dinheiro atribuídos ao senador.
Aliados do governo afirmam que a mudança de postura ocorre em um momento em que Lula apresenta melhora em seu desempenho nas pesquisas eleitorais.
Um levantamento recente mostrou que Lula abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro, especialmente após a repercussão do caso “Dark Horse”, que se refere a um filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido recursos ligados a Vorcaro.
Nas simulações de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, em contraste com 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o petista lidera com 47% contra 43% do adversário.
A transferência das redes sociais também revela a insatisfação de aliados de Lula com a comunicação digital do governo, atualmente sob a responsabilidade do ministro Sidônio Palmeira.
Interlocutores do presidente têm criticado a falta de impacto político das campanhas publicitárias e questionado a eficácia das estratégias nas redes sociais.
Apesar das críticas, a gestão de Sidônio ampliou consideravelmente os investimentos em publicidade digital.
Em 2025, os gastos do governo federal com anúncios em plataformas como Google e Meta superaram, pela primeira vez, os investimentos em publicidade nas emissoras SBT e Band.
Dados da Secretaria de Comunicação indicam que os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões destinados à publicidade oficial no último ano.
As campanhas têm abordado temas relevantes, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, segurança pública, combate à violência contra mulheres e crianças, e o debate sobre o fim da escala 6×1.
O presidente também iniciou um tratamento complementar no hospital Sírio-Libanês, em Brasília, após a remoção de um câncer de pele no couro cabeludo em abril. Segundo boletim médico, Lula deverá passar por mais 14 sessões de radioterapia preventiva nas próximas semanas.
