PT estabelece diretrizes para eleições de 2026 e busca aproximação com o centro político
Partido dos Trabalhadores aprova manifesto com diretrizes para 2023.
O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, em congresso realizado no último domingo, um manifesto que estabelece diretrizes para o ano, destacando a comparação entre a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula, que não pôde comparecer ao evento devido a procedimentos de saúde, foi representado por Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo. Para compensar a ausência do presidente, o PT transmitiu um discurso de Lula feito em um encontro global de líderes progressistas em Barcelona.
O manifesto, aprovado por unanimidade, evita abordar polêmicas e será debatido nas próximas semanas pelo diretório nacional do partido. Um dos principais pontos excluídos foi a defesa de uma reforma do sistema financeiro, que foi retirada em resposta ao escândalo envolvendo o Banco Master.
Os principais eixos do manifesto incluem a reconstrução do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, a retomada do crescimento econômico com distribuição de renda e a transição produtiva, tecnológica e ambiental, todos alinhados com as propostas dos governos petistas anteriores.
A reeleição de Lula é considerada o “eixo central da tática política” do manifesto, que propõe sete reformas essenciais. Entre elas, estão a reforma política e eleitoral, a reforma tributária, a reforma tecnológica, a reforma do Judiciário e a reforma administrativa.
Além dessas, o partido adicionou a reforma agrária, que visa garantir a soberania alimentar, e a reforma do setor de comunicação, que busca assegurar o cumprimento da Constituição em relação a monopólios.
O manifesto também defende uma “permanente transição geracional” dentro do partido, limitando o número de mandatos e garantindo a participação de, no mínimo, 50% de mulheres nos espaços de deliberação. Contudo, não foram incluídas propostas específicas para a renovação interna do partido ou a equidade de gênero nos postos de decisão.
José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou que o objetivo do manifesto é atrair o centro político para apoiar Lula, evitando polêmicas que possam afastar setores não alinhados à esquerda.
Lula participou da elaboração do manifesto, especialmente em solicitações para que houvesse mais comparações entre as gestões dele e de Bolsonaro, e que a reforma do sistema financeiro fosse excluída do documento.
Em um vídeo enviado ao congresso, Lula enfatizou a importância de o partido prometer ações que sejam viáveis e exequíveis, refletindo um compromisso com a realidade e a responsabilidade nas propostas apresentadas.
