Quase 60% dos consumidores diminuem compras internacionais após implementação da taxa sobre roupas importadas

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Estudo revela queda nas compras em sites internacionais após nova tributação

Uma pesquisa recente indica que 18,3% dos brasileiros deixaram de comprar em sites estrangeiros, enquanto 40,7% reduziram suas aquisições devido à implementação de um imposto sobre importações de até US$ 50.

O levantamento aponta que, entre junho de 2024 e junho de 2025, 59% da população brasileira diminuiu ou interrompeu suas compras em plataformas internacionais. Desses, 18% afirmaram ter parado completamente de adquirir produtos de sites estrangeiros. A nova taxa, que impõe uma cobrança de 20% sobre importações de até US$ 50, começou a vigorar em 1º de agosto de 2024.

Em resposta a essa situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória em 12 de maio de 2026, que elimina o imposto de importação sobre essas compras internacionais. A nova legislação já está em vigor e visa reverter os efeitos negativos da tributação anterior.

Apesar da taxa, 96% dos brasileiros realizaram compras em sites internacionais entre junho de 2024 e junho de 2025. Contudo, houve uma queda no percentual de consumidores que utilizam essas plataformas, passando de 97,6% para 95,8% no período, uma redução de quase 2 pontos percentuais.

Por outro lado, as compras em sites nacionais também sofreram uma queda significativa, com o percentual de brasileiros que compraram online caindo de 89% para 70,9% no mesmo intervalo.

A pesquisa, realizada de 13 a 25 de junho de 2025, incluiu 1.094 entrevistas para determinar o percentual de pessoas que compraram pela internet nos 12 meses anteriores. A margem de erro da pesquisa é de 2,96 a 3,46 pontos percentuais.

FIM DO IMPOSTO

A nova medida, que extingue a “taxa das blusinhas”, foi assinada por Lula em uma reunião fechada, sem a presença da imprensa. A decisão não estava prevista na agenda pública do presidente e faz parte de uma estratégia eleitoral visando sua campanha para um quarto mandato.

Embora a medida elimine o imposto sobre as importações, ela não altera a cobrança de ICMS, que varia conforme o estado. A validade da medida provisória é de até 120 dias, necessitando da aprovação do Congresso nesse período para se tornar permanente. Caso contrário, o imposto será reinstaurado.

A “taxa das blusinhas”, que agora é criticada, foi inicialmente defendida pela equipe econômica do governo, que argumentava sobre a necessidade de proteger a indústria nacional.

O QUE DIZ A INDÚSTRIA

A decisão do governo gerou reações imediatas de entidades da indústria, varejo e plataformas de comércio internacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a medida concede vantagens a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional, com impactos mais severos sobre micro e pequenas empresas, podendo resultar em perda de empregos.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a revogação da taxa como “extremamente equivocada”, argumentando que isso amplia a desigualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.

A Abvtex, Associação Brasileira do Varejo Têxtil, expressou sua indignação em relação ao fim da tributação, considerando que isso representa um retrocesso econômico e um ataque direto à indústria e ao varejo nacional, afetando milhões de empregos no Brasil.

As associações pedem a criação de medidas compensatórias para evitar o fechamento de empresas e a perda de postos de trabalho, além de destacar a importância da arrecadação pública, que já havia mostrado crescimento significativo antes da revogação.

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também se manifestou, ressaltando que a competitividade do empresário brasileiro é prejudicada quando ele enfrenta uma carga tributária alta, enquanto produtos importados entram sem tributação.

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