Queda global nas ações de empresas de IA após alertas de CEOs sobre riscos
Ações de empresas de inteligência artificial enfrentam forte queda após alertas sobre riscos da tecnologia.
Ações de empresas ligadas à inteligência artificial sofreram uma queda significativa nesta segunda-feira, após líderes do setor expressarem preocupações sobre os riscos associados ao rápido desenvolvimento dessa tecnologia. Essa desvalorização representa uma ameaça direta aos bilhões de dólares que têm sido investidos no setor, o que, até então, impulsionava os mercados globais a níveis recordes.
Uma venda generalizada de ativos atingiu diversas empresas da indústria, em um momento em que muitas delas estão cada vez mais dependentes de dívidas e financiamentos para sustentar seus ambiciosos planos de investimento em IA. O aumento dos custos globais de crédito, refletido nos altos rendimentos de títulos, contribuiu para essa situação.
Alertas que abalaram o mercado
O desencadeamento dessa turbulência foi um ensaio publicado por Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, que pediu uma desaceleração no avanço das capacidades dos modelos de IA, em resposta ao crescente temor do uso indevido da tecnologia. Elon Musk e Sam Altman, líderes de outras grandes empresas de IA, manifestaram apoio à posição de Amodei.
Sam Altman, por sua vez, anunciou que a OpenAI não realizará uma oferta pública inicial de ações (IPO) neste ano, citando preocupações de segurança. Em uma entrevista, ele afirmou que os riscos associados à IA podem representar uma ameaça inaceitável à humanidade.
Amodei alertou que, em um período de seis a doze meses, sistemas de IA poderiam adquirir controle sobre a internet, resultando em danos financeiros significativos.
Tombo nas bolsas
O índice Nasdaq 100, que representa as principais empresas de tecnologia em Wall Street, caiu 1,2%, alcançando seu menor nível em seis semanas. O índice Philadelphia de semicondutores viu uma queda de 5,1%. Dentre as ações mais afetadas, a Nvidia recuou 3,6%, a Advanced Micro Devices (AMD) caiu 5,6% e a Micron perdeu 6%. A SpaceX, de Musk, também registrou uma queda de 1,6%.
Fabricantes de equipamentos para semicondutores, como Lam Research e Applied Materials, também foram impactadas, com uma queda de 6% em ambas. No setor de utilities de tecnologia, a Bloom Energy perdeu 6,8% e a GE Vernova recuou 7,4%.
Na Europa, o setor de tecnologia caiu 2,2%, com a ASML apresentando uma baixa de 5,9%, além de perdas significativas em Infineon e Siemens Energy. Na Ásia, o SoftBank despencou 13,2%, enquanto as fabricantes de chips TSMC e SK Hynix também enfrentaram quedas.
Analistas alertam que, se essa situação levar a uma desaceleração nos gastos com IA, as repercussões podem ser significativas para a economia e para setores-chave do mercado de ações, que têm se beneficiado de um ritmo acelerado de investimentos em tecnologia.
Contexto e ceticismo
Os alertas emitidos no fim de semana se somam a uma série de eventos que elevaram as preocupações sobre os riscos associados à IA. Recentemente, um pesquisador da Anthropic pediu demissão, afirmando que muitos especialistas acreditam que a IA pode representar uma ameaça existencial até o final da década. Dias depois, a empresa divulgou um relatório detalhando como seus modelos foram utilizados em atividades que vão desde o desenvolvimento de armas até fraudes.
No entanto, nem todos os especialistas consideram esses avisos alarmantes. Um investidor conhecido por suas apostas contra o mercado imobiliário, Michael Burry, classificou os alertas como exagerados e uma forma de justificar uma desaceleração no crescimento econômico.
O presidente-executivo do Morgan Stanley, Ted Pick, prevê que os gastos com IA ultrapassem US$ 1,3 trilhão até 2027. O Deutsche Bank, em uma análise recente, questiona se o atual cenário é um sinal de que o ciclo de investimentos em IA pode estar moderando, embora a intensa concorrência entre empresas e países ainda prevaleça.
Disputas geopolíticas e próximos passos
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