Radar das Eleições aponta para atrito institucional no Brasil, com a agenda econômica em segundo plano
Brasil enfrenta instabilidade institucional que pode afetar agenda econômica em 2027.
O Brasil se dirige para um cenário de atrito institucional entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, independentemente de quem assumir a presidência em 2027. Nesse contexto, reformas econômicas e marcos regulatórios destinados a atrair investimentos externos podem ser relegados a um segundo ou terceiro plano durante o próximo mandato.
A análise foi apresentada por um especialista em geopolítica da América Latina, que destacou que tanto um eventual segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva quanto uma possível eleição de Flávio Bolsonaro trariam desafios significativos. Ambos os candidatos, que devem se enfrentar no segundo turno das eleições de 2026, enfrentariam dificuldades para governar eficazmente.
O principal foco do atrito reside na relação entre os candidatos e as diferentes correntes do Judiciário, especialmente em um momento de crise crescente no Supremo Tribunal Federal (STF). Questões como a liberação de emendas impositivas sob investigação e a autorização para que senadores possam solicitar o impeachment de ministros do STF estão no centro dessa tensão.
Em um cenário onde Lula é reeleito, o conflito com o Legislativo pode ser intensificado por seu indicado, que está à frente das investigações sobre as emendas parlamentares. Essa situação cria um ambiente de litígio entre o Executivo e o Congresso, onde o Supremo poderia ser utilizado como um instrumento de oposição ao controle orçamentário do Legislativo.
Por outro lado, se Flávio Bolsonaro for eleito, a dinâmica de atrito pode se inverter, com uma aliança mais natural entre a Presidência e o Congresso, visando a remoção do ministro Alexandre de Moraes do STF.
Independentemente do resultado, a instabilidade institucional poderá ser uma constante, com implicações diretas na agenda econômica do país. Um cenário de crise institucional tende a colocar a agenda econômica em um segundo plano, conforme as prioridades do governo se deslocam para a resolução de conflitos internos.
Reformas fiscais e estruturantes, assim como marcos regulatórios que visam atrair investimentos, podem ser deixados de lado em favor de uma gestão focada em conflitos políticos. O especialista enfatiza que, em um ambiente de confrontos intensos, essas questões se tornam menos prioritárias.
No cenário internacional, a rivalidade política entre Lula e Flávio Bolsonaro pode impactar as relações do Brasil com outras nações e blocos, especialmente com os Estados Unidos, a União Europeia e a China. A reeleição de Lula poderia resultar em relações voláteis com os Estados Unidos, dependendo de interações com a administração americana e pressões internas.
As relações poderiam experimentar períodos de calmaria, seguidos por tensões provocadas por diferentes grupos dentro do governo dos EUA, levando a potenciais tarifas ou sanções. Com a eleição de Flávio Bolsonaro, a tendência seria um alinhamento mais forte com o governo americano, especialmente em relação a Donald Trump.
As relações com a União Europeia e a China poderiam ser mais favoráveis sob um governo Lula, que tende a apoiar o multilateralismo. No entanto, uma possível administração de Flávio Bolsonaro poderia adotar uma postura mais crítica em relação a investimentos chineses em setores estratégicos, embora medidas drásticas como expropriações sejam improváveis devido ao impacto negativo que teriam sobre a confiança do mercado.
Ajuste fiscal
Apesar dos atritos institucionais, o futuro presidente enfrentará a necessidade de implementar ajustes fiscais, que variariam em rigor dependendo de quem for eleito. Se Lula for reeleito, os ajustes provavelmente serão mínimos, focados em garantir a execução do orçamento e evitar crises fiscais severas. Em contraste, uma administração de Flávio Bolsonaro poderia adotar uma postura de maior disciplina fiscal, implementando medidas de austeridade para controlar a dívida pública.