Ramagem afirma que não será extraditado e retornará ao Brasil se Flávio Bolsonaro for eleito
Alexandre Ramagem, condenado pelo STF, fala sobre sua situação nos EUA e possíveis retornos ao Brasil.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação em uma trama golpista e atualmente foragido da Justiça brasileira, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, declarou que uma eventual extradição para o Brasil “não vai acontecer”.
Em suas declarações, Ramagem acusou o Brasil de tentar removê-lo dos Estados Unidos, onde se encontra, de maneira irregular. Ele afirmou que as autoridades brasileiras, cientes de que a extradição não se concretizaria, tentaram deportá-lo clandestinamente. As declarações foram feitas durante um evento esportivo em Nova York, antes de uma partida da Copa do Mundo de futebol.
O ex-diretor da Abin relacionou a possibilidade de seu retorno ao Brasil a uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. Ramagem expressou esperança de que, com a vitória de Bolsonaro em 2026, ele poderia retornar ao país, enquanto aguarda a análise de seu pedido de asilo político nos Estados Unidos.
Ramagem foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado por crimes relacionados à organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros delitos. Ele foi considerado um dos principais responsáveis pela disseminação de narrativas sobre fraude nas urnas eletrônicas durante o governo anterior.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Ramagem preparou a narrativa que foi difundida por Bolsonaro e esteve envolvido em espionagens ilegais que atendiam a interesses pessoais do então presidente, desvirtuando a função da inteligência brasileira. O Ministério Público o identificou como um dos principais articuladores da retórica que atacava as urnas eletrônicas e as instituições democráticas.
Apesar de estar proibido de deixar o Brasil, Ramagem conseguiu sair do país em setembro do ano passado, viajando até a fronteira com a Venezuela ou a Guiana antes de chegar aos EUA. Em abril deste ano, ele foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA em Orlando, devido a uma infração de trânsito, e foi liberado dois dias depois, sem fiança.
A detenção de Ramagem resultou no afastamento de um delegado da Polícia Federal que atuava em Miami, após a alegação de que ele havia tentado manipular o sistema de imigração. As autoridades dos EUA argumentaram que ele buscava contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas em seu território. A Polícia Federal do Brasil informou que a prisão foi resultado de cooperação internacional.
Além da condenação criminal, a Câmara dos Deputados determinou a perda do mandato de Ramagem devido às faltas acumuladas por sua fuga do Brasil, uma medida que também afetou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
