Receita Estadual, MP e Polícia Civil deflagram Operação Acerto de Contas contra esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro

Compartilhe essa Informação

Ação integrada cumpre centenas de ordens judiciais em 11 cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina com prejuízo estimado em milhões

Ação integrada cumpre centenas de ordens judiciais em 11 cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina com prejuízo estimado em milhões
Uma força-tarefa formada pela Receita Estadual do Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Estado (MP/RS) e a Polícia Civil gaúcha deflagrou na manhã desta quarta-feira (28 de janeiro de 2026) a Operação Acerto de Contas, que investiga um esquema estruturado de evasão fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada, emissão de notas fiscais inidôneas e ocultação de patrimônio. A ação começou a partir de apurações que vinham sendo realizadas desde abril de 2024 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP/RS (GAECO).

Ao todo, já foram cumpridas 261 ordens judiciais em cerca de 11 municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, incluindo Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí e Guaporé. Os mandados incluem buscas e apreensões, medidas cautelares de monitoramento eletrônico (tornozeleiras) e uma prisão preventiva.

Esquema investigado e prejuízo ao erário
Segundo a investigação conjunta, o grupo criminoso operava por meio de empresas de fachada e “notas frias”, praticando fraudes para sonegar tributos, suprimir o pagamento de ICMS e ocultar a origem de recursos ilícitos. Relatórios técnicos da Receita Estadual foram fundamentais para identificar as fraudes, que resultaram em prejuízo ao erário estimado em cerca de R$ 80 milhões entre impostos sonegados, multas e juros.

As apurações revelaram indícios de lavagem de dinheiro, circulação artificial de valores entre empresas ligadas e reinserção de recursos no sistema financeiro legal, além de aquisição e ocultação de bens de alto valor — como imóveis e veículos de luxo registrados em nome de terceiros — incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

Medidas judiciais e bloqueios de ativos
A operação teve autorização da Justiça para a adoção de medidas que incluem o bloqueio de ativos financeiros, sequestrou de imóveis e apreensão de veículos, com valores que, somados, podem ultrapassar dezenas de milhões de reais, além da instalação de tornozeleiras eletrônicas em investigados.

Participaram da ação 153 agentes das três instituições parceiras: auditores fiscais, servidores do MP/RS, delegados, comissários e inspetores da Polícia Civil, que atuaram de forma coordenada no cumprimento das ordens judiciais distribuídas em várias localidades.

Relevância e próximas fases
Autoridades envolvidas classificaram a operação como um marco na atuação integrada de órgãos de fiscalização e persecução penal no combate a crimes tributários e financeiros no estado, com foco tanto na responsabilização penal dos envolvidos quanto no ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos.

A investigação continuará em novas fases, com a finalidade de identificar outros possíveis participantes, aprofundar a análise de patrimônio oculto e ampliar a responsabilização criminal e civil dos suspeitos.

Fotos: Divulgação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *