Remédio injetável que previne HIV pode ser incorporado ao SUS até o final do ano

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Nova forma de PrEP pode ser disponibilizada pelo SUS ainda este ano.

O Sistema Único de Saúde (SUS) está se preparando para introduzir uma nova modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP) em forma de injeção, visando a prevenção do HIV. O medicamento cabotegravir, que oferece proteção prolongada contra a replicação do vírus, poderá ser administrado a cada dois meses.

Na próxima semana, o Ministério da Saúde enviará um pedido de inclusão do cabotegravir à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec). Essa comissão, que atua de forma independente, avalia a viabilidade econômica e a eficácia de novos tratamentos antes de sua inclusão na rede pública de saúde.

A Conitec pode fazer recomendações sobre a inclusão, mas a decisão final cabe ao Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha informou que o governo está em negociações com a farmacêutica GSK, responsável pela produção do cabotegravir, para definir o custo do medicamento e a quantidade de doses a serem adquiridas. A GSK apresentou uma proposta com um “preço adequado”.

Padilha expressou otimismo em relação às novas tecnologias de proteção prolongada, mas enfatizou a necessidade de que sejam oferecidas a preços justos aos sistemas de saúde pública, evitando valores exorbitantes.

Lenacapavir

O ministro também destacou que o custo foi um fator determinante na escolha do cabotegravir em detrimento de outro medicamento, o lenacapavir, que oferece proteção por até seis meses. Apesar de o Brasil estar disposto a pagar até dez vezes o valor oferecido a países como Indonésia e Tailândia, a indústria não aceitou essa proposta. O governo, portanto, não irá aceitar preços que comprometam os recursos públicos.

Embora o Brasil tenha sido um dos locais de teste do lenacapavir, o país não foi incluído no acordo de licenciamento voluntário que permitiu a seis empresas produzirem versões genéricas do medicamento para 120 países. Essa exclusão foi criticada por representantes de organizações internacionais, que consideram o lenacapavir essencial para erradicar a epidemia de aids e defendem a ampliação do acesso ao medicamento globalmente.

A farmacêutica Gilead, responsável pelo lenacapavir, declarou que está comprometida em aumentar o acesso ao medicamento na América Latina e no Caribe. No entanto, para países fora do acordo de licenciamento, como o Brasil, a empresa busca alternativas sustentáveis que se alinhem às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública.

Recentemente, a Gilead anunciou que o Brasil é uma prioridade entre os países que podem se tornar parceiros na produção do lenacapavir. A empresa firmou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz para explorar oportunidades de transferência de tecnologia, visando melhorar o acesso ao medicamento no Brasil e na região.

PrEP oral

Atualmente, o SUS já disponibiliza a PrEP na forma oral, com comprimidos que devem ser ingeridos diariamente. Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso a esse tratamento, que possui eficácia comprovada.

A principal vantagem da PrEP injetável em relação à versão oral é a adesão ao tratamento, já que os comprimidos exigem uso diário para garantir a proteção. Um estudo realizado pela Fiocruz com 1.400 participantes em seis cidades brasileiras revelou que 83% preferiram a injeção. Além disso, 94% dos participantes compareceram para receber as injeções dentro do prazo, garantindo a proteção ao longo do tratamento, sem registros de infecção pelo vírus.

Outro estudo de eficácia, conduzido pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, mostrou uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%, evidenciando a alta eficácia do tratamento.

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