Retorno aos escritórios impacta economia do interior e transforma mercado imobiliário nas cidades
A mudança nos hábitos de moradia em São Paulo reflete a nova dinâmica do trabalho presencial e híbrido.
A expansão do home office durante a pandemia alterou significativamente os padrões de moradia em São Paulo. Com a diminuição da necessidade de estar próximo ao trabalho, muitas famílias optaram por deixar a capital em busca de casas maiores, em cidades mais tranquilas e com maior acesso a áreas verdes.
Com a recente volta ao trabalho presencial e a consolidação do modelo híbrido, esse cenário está passando por novas transformações. Dados indicam que São Paulo registrou um número recorde de 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, um aumento de 49,6% em relação a 2020.
A proximidade do trabalho voltou a pesar entre os colaboradores
Durante a pandemia, a flexibilidade de trabalhar de qualquer lugar permitiu que muitos se mudassem para cidades mais distantes dos centros urbanos. Contudo, com o retorno aos escritórios, fatores como tempo de deslocamento, opções de transporte e distância estão novamente influenciando as decisões sobre onde morar.
Uma pesquisa recente revelou que 63% dos profissionais estão trabalhando presencialmente. Dentre esses, 79% afirmam que essa escolha é imposta pela empresa, e não uma preferência pessoal.
O deslocamento se destaca como um dos principais desafios do trabalho presencial, com 65% dos entrevistados considerando a viagem até o escritório uma desvantagem. Além disso, 53% relataram um aumento nos gastos relacionados ao deslocamento.
Empresas aumentam a presença nos escritórios
A volta ao trabalho presencial está ligada a fatores como a necessidade de integração entre equipes, comunicação eficaz e fortalecimento da cultura organizacional. As empresas citam a melhora na colaboração e a maior interação entre os colaboradores como razões para essa mudança.
No entanto, 54% dos gestores acreditam que aumentar a presença no escritório pode aumentar o risco de perder funcionários. Do lado dos trabalhadores, a preferência é mista: 52% considerariam trocar de emprego caso perdessem a flexibilidade de trabalho.
Mercado imobiliário entrou em uma nova fase
De acordo com especialistas do setor, a queda nas escrituras nas cidades do interior não indica necessariamente uma saída em massa de moradores. Em vez disso, os dados refletem uma normalização após um período de crescimento excepcional nas transações imobiliárias.
O novo cenário não representa um retorno ao que era antes da pandemia. A experiência do home office trouxe novas perspectivas sobre moradia, mas a reabertura dos escritórios fez com que a localização voltasse a ser um fator importante nas decisões de compra.
Assim, o mercado imobiliário entra em uma fase onde empresas, trabalhadores e famílias buscam um novo equilíbrio entre moradia, flexibilidade e deslocamento.