Rui Costa conclui mandato de três anos na Casa Civil e transfere liderança para Miriam Belchior
Rui Costa se despede da Casa Civil e Miriam Belchior assume o cargo
Rui Costa (PT) deixou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil em uma cerimônia realizada na Estação da Calçada, em Salvador, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova titular da pasta será Miriam Belchior, que até então atuava como secretária-executiva.
A cerimônia também foi marcada pela entrega de obras de mobilidade urbana e contenção de encostas pelo Novo PAC. Este evento simbolizou a saída de Costa, que ocupou uma das posições mais influentes do governo federal por mais de três anos.
O local escolhido para a despedida tem um significado especial para Costa, pois fica próximo ao morro onde nasceu, na divisa entre os bairros da Liberdade e da Calçada.
“Esse ato é o último ato meu como ministro da Casa Civil. Quando terminar o dia, o presidente assina minha exoneração”, declarou Costa. Ele recordou sua trajetória na região, mencionando que caminhava quatro quilômetros entre sua casa e a escola.
UM DOS MAIS INFLUENTES DO PLANALTO
Ex-governador da Bahia por dois mandatos, Costa teve um papel central no governo Lula, sendo responsável por filtrar quase todas as decisões que chegavam ao presidente. Juntamente com o ministro da Fazenda, ele era um dos principais conselheiros do governo.
Durante o evento, Lula reconheceu a importância da Casa Civil, destacando que, embora nem sempre o papel da pasta fosse bem recebido, nunca houve um funcionamento tão eficaz em termos de apresentação de soluções.
Costa era conhecido por sua atuação ativa nas discussões sobre o Orçamento federal, participando de debates cruciais com congressistas, especialmente em questões fiscais e tributárias. Ele foi um defensor da comunicação entre o governo e o Congresso em temas controversos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Na última reunião ministerial, realizada em 31 de março, Costa fez um balanço político e cobrou a divulgação dos resultados do governo, questionando se a população estava ciente das conquistas alcançadas.
Entre os dados apresentados por Costa, destacam-se: 26,5 milhões de pessoas saíram da fome entre 2023 e 2024; 8,7 milhões deixaram a pobreza; e o desemprego caiu para 5,4%, o menor índice da série histórica.
O Novo PAC alcançou 80% de execução, com R$ 65,6 bilhões em repasses do Orçamento da União, além de contratações de R$ 11,1 bilhões em áreas como mobilidade urbana e saneamento, representando um aumento de 46% em relação ao período anterior.
Nos últimos meses, o caso Banco Master ganhou destaque político relacionado a Rui Costa, devido ao programa CredCesta, criado durante sua gestão como governador da Bahia. Ele refutou qualquer envolvimento em esquemas e criticou a cobertura da imprensa sobre o assunto, sugerindo que outras figuras, como o ex-presidente do Banco Central, deveriam ser mais responsabilizadas.
QUEM É MIRIAM BELCHIOR
Miriam Belchior, filiada ao PT desde sua fundação, é professora e engenheira de alimentos. Formada pela Unicamp, possui mestrado em administração pública pela FGV.
Sua carreira política começou em Santo André, onde atuou como secretária de Administração e Inclusão Social. Em 2007, entrou para o PAC e, em 2010, tornou-se coordenadora-geral do programa.
Entre 2011 e 2015, foi ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão no governo Dilma Rousseff e, posteriormente, presidiu a Caixa Econômica Federal.
Desde janeiro de 2023, ocupava a secretaria-executiva da Casa Civil e participou da elaboração de programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.
Ao anunciar a sucessora, Costa elogiou Belchior, destacando sua competência técnica. Ela assume a pasta em um momento de reforma ministerial, com 20 ministros deixando o governo para concorrer nas eleições de outubro, sob a orientação de Lula para concluir projetos em andamento.
Costa, por sua vez, já confirmou sua candidatura ao Senado pela Bahia e lidera as pesquisas de intenção de voto, integrando a estratégia de Lula para 2026, que visa ampliar a base de apoio no Senado.
