Rússia Rumo ao Isolamento Digital Global

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Brasileiros na Rússia enfrentam restrições severas nas redes sociais.

Os apagões frequentes na internet e a repressão ao uso de VPNs estão levando os russos a recorrer a alternativas como pagers, mapas impressos e telefones fixos. A iminente proibição do Telegram, principal meio de comunicação no país, tem gerado críticas até mesmo entre apoiadores do governo.

Desde a invasão da Ucrânia, o governo de Vladimir Putin intensificou o controle sobre o uso da internet. Em grandes cidades como Moscou e São Petersburgo, interrupções de serviços digitais tornaram-se comuns, dificultando atividades cotidianas como chamadas de táxi e pagamentos online.

A busca por alternativas levou ao aumento das vendas de walkie-talkies, telefones fixos e pagers, além de mapas impressos e tocadores de MP3. A situação se agrava com a recente atenção do Kremlin em relação às VPNs, que permitem contornar a censura digital.

O ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, anunciou que o objetivo é reduzir o uso de VPNs, afirmando que as novas medidas visam restringir o acesso a plataformas estrangeiras que não atendem à legislação russa em questões de segurança.

Até janeiro, mais de 400 VPNs já haviam sido bloqueadas, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Apesar disso, novas opções continuam a surgir, embora a Apple tenha removido da App Store as VPNs que permitiam acesso a sites censurados.

Os apagões na internet móvel, embora ainda não sistemáticos, podem se tornar uma realidade, com especialistas prevendo que os bloqueios em Moscou se tornem mais frequentes. Há indícios de que as autoridades possuem tecnologia para implementar um apagão digital em todo o país, semelhante ao que foi observado no Irã.

Com a crescente dificuldade de acessar ferramentas digitais, o Telegram, que já é alvo de restrições, pode ser o próximo a sofrer um bloqueio total. O governo já tentou impor custos adicionais ao tráfego de dados internacionais, sem sucesso.

Após a invasão da Ucrânia, a Rússia implementou leis de censura severas, consideradas as mais rígidas desde a era soviética. O acesso a plataformas como Facebook e Instagram foi cortado, e o WhatsApp também foi bloqueado, enquanto o Telegram enfrenta uma redução na velocidade e interrupções frequentes.

Desenvolvido por Pavel Durov, atualmente radicado nos Emirados Árabes, o Telegram se tornou essencial para a comunicação, sendo utilizado por soldados e prefeituras para alertar a população sobre ataques. A situação provocou reações até de figuras políticas próximas ao regime, que reconhecem os danos causados pelas restrições.

O descontentamento é palpável, com manifestações contra as restrições ao Telegram ocorrendo, apesar da repressão. Recentemente, pedidos para autorizações de protestos foram negados, resultando em prisões de manifestantes que clamavam por liberdade de expressão.

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