Rússia suspende exportações de nitrato de amônio, afetando o maior fornecedor de fertilizantes do Brasil

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Guerra no Oriente Médio afeta o preço dos fertilizantes

A recente escalada de conflitos no Oriente Médio tem gerado preocupações significativas sobre o abastecimento de fertilizantes, especialmente o nitrato de amônio, crucial para a agricultura mundial.

A Rússia, que domina até 40% do comércio global desse fertilizante, anunciou a suspensão das exportações por um mês, até 21 de abril, para garantir estoques adequados durante a primavera. Essa decisão impacta diretamente o Brasil, que depende fortemente dos fertilizantes russos, com 25,9% dos adubos químicos adquiridos em 2025 provenientes desse país.

O fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio de amônia, contribuiu para uma crise de abastecimento. A Rússia, que responde por um quarto da produção global de nitrato de amônio, enfrenta dificuldades em aumentar a produção devido a essa situação.

O Ministério da Agricultura da Rússia anunciou a suspensão de todas as licenças de exportação de nitrato de amônio, exceto para contratos governamentais, priorizando o atendimento das necessidades internas durante a temporada de plantio.

A interrupção das exportações é uma medida para atender à crescente demanda interna por fertilizantes nitrogenados, especialmente em um momento crítico para a agricultura russa.

Motivos para a suspensão das exportações

O nitrato de amônio é amplamente utilizado no início da temporada de plantio. A Rússia já implementa limites de exportação desde 2021, priorizando o fornecimento ao mercado interno. O país exporta esse fertilizante para diversas nações, incluindo Brasil, Índia e EUA.

Recentemente, a produção russa foi afetada por ataques aéreos, como o ocorrido em fevereiro na fábrica de Dorogobuzh, que representa cerca de 11% da produção nacional de nitrato de amônio. A operação plena da fábrica não deve ser restabelecida antes de maio.

Além de seu uso na agricultura, o nitrato de amônio também é utilizado na fabricação de explosivos, o que aumenta a relevância de sua produção e distribuição.

Por que o Brasil precisa importar fertilizantes?

O Brasil enfrenta uma dependência significativa de fertilizantes importados, com 95% do nitrogênio, 75% do fosfato e 91% do potássio adquiridos do exterior. Essa dependência se deve a diversos fatores.

  • Falta de matérias-primas: O Brasil possui poucas reservas de componentes essenciais, como nitrogênio e potássio, que são dominados por países como Canadá e Rússia.
  • Demanda elevada: A produção nacional não consegue suprir a demanda da agricultura, que é intensiva em fertilizantes devido à baixa fertilidade do solo brasileiro.
  • Altos custos de importação: A logística e a infraestrutura limitadas no Brasil tornam a importação mais viável economicamente.

O governo brasileiro estabeleceu um Plano Nacional de Fertilizantes em 2022, com a meta de produzir entre 45% e 50% do que o país consome até 2050, buscando reduzir a dependência externa.

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