Sagrada Família enfrenta nova oposição com protesto de 200 vizinhos em Barcelona
A Sagrada Família ainda enfrenta desafios para sua conclusão após 144 anos de obras.
Antoni Gaudí lançou a pedra fundamental da Sagrada Família em março de 1882. Após 144 anos de construção, a basílica continua longe de ser finalizada. Embora a Torre de Jesus Cristo tenha sido concluída em fevereiro de 2026, tornando-se o edifício religioso mais alto do mundo, a obra ainda carece de muitos elementos essenciais.
Ainda faltam finalizar a Fachada da Glória, o conjunto escultórico completo e uma escadaria imponente que está bloqueada há 50 anos por moradores que não pretendem se mudar. Recentemente, as negociações para resolver esse impasse enfrentaram mais um obstáculo, evidenciando a complexidade da situação.
Três prefeitos, nenhum acordo
As discussões entre a prefeitura de Barcelona, a comissão construtora da igreja e os moradores já se arrastam por três mandatos: Xavier Trias, Ada Colau e, atualmente, Jaume Collboni. Em março, o presidente da comissão, Esteve Camps, afirmou que um acordo estava próximo, mas até agora, isso não se concretizou.
Vale mencionar que a Sagrada Família foi construída por 137 anos sem licença de obras, recebendo a autorização apenas em 2019, após um acordo financeiro significativo com a prefeitura.
Em junho de 2026, ocorreu a primeira reunião formal entre a gestão municipal e os moradores, mas a ausência de representantes da basílica na mesa de negociações gerou descontentamento. A minuta do acordo prometida para julho ainda não foi apresentada, levando os moradores a acusarem um travamento nas discussões.
Uma escadaria para o céu
Gaudí idealizou a Fachada da Glória como a mais monumental das três, com uma escadaria que simbolizaria a jornada do inferno à salvação. Quando o projeto foi concebido, a área estava desocupada, mas a realidade atual é bem diferente.
Entre os anos 1950 e 1970, a população de Barcelona aumentou drasticamente, impulsionada pela migração para o polo industrial da região. Em 1981, a cidade alcançou um pico populacional, complicando ainda mais as questões de espaço e desapropriação.
De 1.000 apartamentos para menos de 200
Para executar o projeto original, seria necessário demolir cerca de 1.000 apartamentos e 300 estabelecimentos comerciais. As propostas recentes do município reduziram o impacto para menos de 200 residências afetadas, oferecendo opções de reassentamento ou indenização.
Apesar dessas medidas, a revolta popular se intensificou, com moradores expressando sua indignação em relação à desapropriação para uma obra que consideram privada. O clima de tensão levou à pausa do processo para uma reavaliação.
Estima-se que ainda falte concluir cerca de 15% do templo. Mesmo com a torre e o programa escultórico finalizados, a Fachada da Glória permanece pendente, sem um prazo definido para conclusão. As projeções mais realistas indicam que a finalização pode ocorrer entre 2033 e 2034, e a disputa sobre a escadaria monumental deverá ser resolvida na Justiça.
