Sâmia critica projeto de Tabata que combate o antissemitismo
Deputada critica projeto que pode criminalizar críticas a Israel
A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) manifestou sua oposição ao projeto de lei 1.424/2026, que visa estabelecer critérios para caracterizar o antissemitismo no Brasil. Em um vídeo nas redes sociais, ela descreveu a proposta como um “grande absurdo”, argumentando que pode transformar críticas ao Estado de Israel em crime.
Durante a gravação, Sâmia questionou a possibilidade de criminalização de manifestações críticas a Israel, enfatizando que tal medida seria inaceitável. Ela sustentou que o projeto teria o efeito de classificar essas críticas como antissemitismo.
“Você acha que esse tipo de publicação é crime? Que essa manifestação tem que ser considerada crime? Que posições que criticam o Estado de Israel devem ser criminalizadas? Eu acho que não”, declarou a parlamentar.
O projeto de Tabata Amaral propõe uma definição formal de antissemitismo, alinhada a padrões internacionais, e caracteriza essa forma de ódio contra judeus como podendo se manifestar por palavras, imagens ou ações, incluindo ataques a instituições e bens associados à comunidade judaica.
Embora busque diferenciar antissemitismo de críticas ao Estado de Israel, o texto estabelece que manifestações a respeito de Israel não devem ser tratadas como antissemitas, alinhando-se a críticas dirigidas a outros países. Além disso, não cria novos crimes, mas pretende orientar políticas públicas e garantir segurança jurídica na atuação do Estado.
Em sua análise do contexto internacional, a deputada também mencionou a situação do povo palestino, responsabilizando o Estado de Israel por violações contra essa população. “O Estado de Israel foi responsável pelo genocídio do povo palestino, matando principalmente mulheres e crianças”, afirmou.
Ela alertou que a aprovação do projeto poderia prejudicar a posição do Brasil no debate internacional, limitando manifestações de apoio à Palestina. “É um absurdo que o Brasil, que tem tido uma postura importante na diplomacia internacional, exigindo o fim do genocídio, tenha sua posição em defesa da Palestina criticada e tornada crime”, completou.
Sâmia Bomfim expressou sua intenção de barrar o avanço do projeto na Câmara. “Da nossa parte, nós vamos lutar e obstruir esse projeto”, afirmou.
Outras discordâncias
A proposta já recebeu críticas de outros parlamentares. A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) retirou sua assinatura do projeto, declarando que não concorda com a proposta e que seu nome foi incluído sem autorização.
Atualmente, o projeto de lei 1.424/2026 aguarda definição sobre sua tramitação nas comissões da Câmara dos Deputados.
