Santa enganadora: a verdade sobre a estrela do calendário de ‘padres sexy’ de Roma
Calendário ‘Calendario Romano’ provoca risos e reflexões sobre a imagem do clero.
O ‘Calendario Romano’ é um fenômeno de vendas em Roma, conhecido por suas fotografias de homens em trajes clericais. Apesar da aparência, poucos dos modelos são realmente padres.
Giovanni Galizia, que aparece na capa do calendário por 23 anos, retrata um sorriso enigmático em uma imagem que se tornou icônica. A foto, tirada em sua cidade natal, Palermo, mostra Galizia com um colarinho clerical, uma imagem que ele mesmo descreve como uma brincadeira entre amigos.
“Era o sorriso de um garoto envergonhado, porque eu via todos os meus amigos na minha frente gargalhando porque eu estava vestido como um padre”, compartilhou Galizia.
A recente atenção midiática sobre o calendário, devido a uma reportagem que questiona a autenticidade dos modelos, trouxe à tona a discussão sobre a falta de vínculos do calendário com o Vaticano, que não se pronunciou sobre o assunto.
Um souvenir popular com 12 retratos em preto e branco
Aos 39 anos, Galizia trabalha como comissário de bordo e lembra que tinha apenas 17 anos quando foi convidado para participar do projeto por um fotógrafo conhecido por outros calendários temáticos. O ‘Calendario Romano’ apresenta 12 retratos em preto e branco, a maioria dos quais são reutilizados anualmente. Galizia revela que apenas conhece um dos outros modelos, que também não é padre.
O fotógrafo Piero Pazzi, responsável pela produção, afirma que pelo menos um terço dos modelos do calendário de 2027 são sacerdotes, mas não fornece mais detalhes sobre isso.
Galizia nunca enfrentou problemas por conta da sua participação, embora tenha ouvido histórias sobre sua avó recebendo o calendário de presente, o que provocou risadas na família.
O calendário pretendia ser arte, não enganação
Para Galizia, as fotos são uma expressão artística e não devem ser interpretadas como uma tentativa de enganar o público. Ele compara a situação a atores em séries que retratam religiosos, ressaltando que a intenção nunca foi criar confusão sobre a identidade dos modelos.
“Claro que existe uma certa provocação na relação entre o sagrado e o profano, porque é evidente que ver um universo distante e, de certa forma, tão elevado como o eclesiástico associado a um rapaz jovem e de rosto fresco cria uma espécie de dissonância”, comentou.
Galizia também expressa confusão sobre a percepção de sensualidade nas fotos, argumentando que a beleza não deve ser confundida com sexualidade. Ele considera um elogio ser visto como atraente em um colarinho clerical.
Tem a aprovação de pelo menos um padre de verdade
Pazzi, o fotógrafo, não divulga números exatos de vendas, mas estima que o calendário vende milhares de cópias anualmente. Enquanto ele recebe royalties, Galizia nunca solicitou pagamento pela sua imagem.
O calendário é comercializado por cerca de 8 euros em várias lojas ao redor do Vaticano, com vendedores relatando vendas diárias. Pazzi inclui informações sobre o Vaticano, mas enfatiza que a produção é independente.
Um padre sul-coreano, que se identificou como padre Domenico, comentou que o calendário é popular entre os jovens em seu país, que o veem de forma humorística. Ele acredita que o calendário humaniza a imagem dos padres, mostrando que eles também podem ser divertidos.
“Muitas vezes, eles acham que os padres são rígidos e distantes. Mas olhando esse calendário, eles sentem os padres mais próximos”, disse o religioso.
