Santos registra déficit de R$ 119,6 milhões no segundo trimestre
Santos registra déficit contábil significativo e enfrenta desafios financeiros em 2026.
O Santos Futebol Clube apresentou um déficit contábil de R$ 119,6 milhões no segundo trimestre de 2026. Este resultado, que superou em 62% o valor previsto no orçamento, ocorre mesmo com receitas que ultrapassaram as expectativas em R$ 35 milhões. A situação financeira será discutida em uma reunião do Conselho Fiscal marcada para a próxima segunda-feira.
Entre abril e junho, o clube conseguiu arrecadar R$ 126 milhões, superando os R$ 91 milhões previstos. Contudo, as despesas operacionais atingiram R$ 165 milhões, além de outros gastos que somaram cerca de R$ 18 milhões, resultando em um cenário de endividamento crescente.
ENDIVIDAMENTO DO CLUBE
Atualmente, o passivo total do Santos é de R$ 1,193 bilhão, considerando dívidas de curto e longo prazo. No entanto, o Conselho Fiscal aponta que esse valor pode chegar a R$ 1,242 bilhão, indicando uma diferença de R$ 48,4 milhões. Essa discrepância se deve principalmente às obrigações de longo prazo, com o clube estimando essas dívidas em R$ 864,9 milhões, enquanto o Conselho Fiscal aponta R$ 913,3 milhões.
As dívidas de curto prazo, reconhecidas por ambas as partes, somam R$ 619,6 milhões. Essa diferença nos cálculos reflete a complexidade das obrigações financeiras que o Santos terá que enfrentar nos próximos anos.
DÍVIDA COM NEYMAR
O Conselho Fiscal também solicitou esclarecimentos sobre a dívida relacionada aos direitos de imagem de Neymar, que está sendo paga à NR Sports, empresa vinculada à família do jogador. A falta de uma conciliação clara sobre o total da dívida e sua divisão em compromissos de curto e longo prazo foi um ponto de destaque nas discussões.
O Santos já havia acordado o pagamento da dívida em parcelas que podem se estender por até 80 meses, o que representa um desafio adicional para a gestão financeira do clube.
SALÁRIOS DOS JOGADORES
O relatório financeiro também indica atrasos nos pagamentos aos jogadores, especialmente em maio, quando os direitos de imagem atrasaram por um mês, embora tenham sido regularizados posteriormente. No total, o clube desembolsou R$ 29,3 milhões em salários e direitos de imagem naquele mês.
Em junho, no entanto, esse valor caiu em cerca de R$ 10 milhões devido à pausa no calendário de jogos por conta da Copa do Mundo. O Conselho Fiscal não esclareceu se essa redução foi utilizada para quitar dívidas de curto prazo. Desde então, o Santos perdeu alguns atletas e contratou cinco novos reforços, o que pode impactar os custos da folha salarial.
EMPRÉSTIMOS
Com a pressão financeira aumentando, a diretoria do Santos recorreu a mecanismos de financiamento, elevando os empréstimos de curto prazo para R$ 77,7 milhões. O clube também antecipou R$ 20,1 milhões em recebíveis com a MLD Capital.
O Conselho Fiscal alertou sobre o risco de aumentar a dependência de receitas futuras. Embora a antecipação melhore a liquidez a curto prazo, ela reduz os recursos disponíveis nos períodos subsequentes, aumentando a pressão financeira sobre o clube. Além disso, a situação tributária é preocupante, com oito parcelamentos ativos e a Certidão Negativa de Débitos vencida devido a parcelas pendentes.
O cenário financeiro será abordado na reunião do Conselho na próxima segunda-feira, onde os conselheiros avaliarão os números do segundo trimestre e as observações do Conselho Fiscal.