São Paulo inaugura primeira usina do país para captura de carbono do etanol de cana

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São Paulo inicia construção da primeira usina brasileira para captura de carbono do etanol de cana.

O Estado de São Paulo dará um passo significativo na sustentabilidade ao construir a primeira usina brasileira destinada à captura e armazenamento de carbono gerado pela produção de etanol de cana-de-açúcar. O governador anunciou a iniciativa durante um evento em comemoração à Semana do Meio Ambiente, onde foi assinado o termo de criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio).

Este novo centro, que será financiado por uma instituição de pesquisa local, terá sua sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e será implementado em colaboração com órgãos governamentais e empresas do setor. A missão do CTCCSBio será investigar a viabilidade e planejar a construção da usina, que promete inovar na forma como o etanol é produzido e utilizado no Brasil.

São Paulo é o maior produtor de etanol e açúcar do Brasil, e a tecnologia BECCS (Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono) permitirá que o etanol paulista se torne um combustível “carbono negativo”. Isso significa que, através da captura do CO durante a produção do etanol e seu armazenamento no subsolo, será possível reverter o balanço de emissões de gases do efeito estufa.

De acordo com especialistas, a produção de etanol já é uma alternativa mais sustentável em comparação aos combustíveis fósseis, pois emite menos gás carbônico. Ao capturar e armazenar o CO, a usina poderá remover ativamente o carbono do ciclo de vida da planta, transformando a pegada de carbono do etanol de positiva para negativa, o que representa um avanço significativo para o setor sucroenergético e para o país.

MONETIZAÇÃO

Os desafios para o novo centro incluem a transformação da tecnologia de captura e armazenamento em uma prática viável dentro do contexto do setor sucroenergético. Embora o armazenamento de carbono não gere receita direta, serão estudados mecanismos de monetização, como o mercado de carbono e políticas de incentivo, para viabilizar o projeto.

O CTCCSBio contará com uma equipe multidisciplinar, envolvendo especialistas de diversas áreas, como engenharia, geologia, economia e direito. Entre as principais atividades estão a avaliação da viabilidade econômica e a análise do arcabouço regulatório necessário para a criação de créditos de carbono. Os pesquisadores também identificarão, através de estudos geológicos, os locais mais adequados para a instalação da usina e o armazenamento do CO capturado.

DESENVOLVIMENTO

O projeto terá uma duração total de cinco anos, com um investimento estimado em R$ 30 milhões, dividido em duas fases. A primeira fase, que durará dois anos, focará na prospecção de locais para a usina e na análise do potencial de São Paulo para a tecnologia. Serão considerados diversos fatores, como geologia, proximidade a usinas, infraestrutura e impacto ambiental. A segunda fase envolverá a implantação e operação da nova usina.

Atualmente, o Brasil possui apenas uma planta de captura e armazenamento de carbono, localizada no Mato Grosso e voltada para o etanol de milho. A usina em São Paulo será a primeira dedicada ao etanol de cana, representando um marco importante na busca por soluções sustentáveis.

O governador enfatizou a importância da instituição de pesquisa na promoção do avanço científico no Estado, destacando que a iniciativa representa um instrumento poderoso para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento. A secretária do meio ambiente também ressaltou que o projeto está alinhado com os planos climáticos e energéticos do Estado, afirmando que a tecnologia BECCS é crucial para descarbonizar o setor agroindustrial e manter a competitividade internacional de São Paulo diante das crescentes exigências ambientais globais.

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