Senador é investigado por suposta tentativa de interferência em inquérito e Dino determina fim do sigilo do caso
Investigação revela comunicações entre senador e ministro do STJ durante inquérito sobre homicídio no Maranhão.
A Polícia Federal identificou trocas de mensagens frequentes entre o senador Weverton Rocha e o ministro do STJ, Humberto Martins, durante a apuração de um homicídio em São Luís.
As investigações levantam suspeitas de que o senador teria tentado interferir no inquérito, que investiga a ligação do crime com uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão e sobrinho do governador Carlos Brandão.
No momento, o caso está sob a responsabilidade do ministro Flávio Dino, do STF, devido às implicações envolvendo Weverton. A revelação sobre as comunicações foi feita em uma decisão de Dino, divulgada recentemente.
O celular de Weverton, apreendido no ano passado durante uma operação que investiga desvios relacionados ao INSS, revelou essas interações. O ministro Flávio Dino solicitou que os dados fossem compartilhados para auxiliar na investigação em andamento no Maranhão.
A análise da PF indica que as comunicações entre o senador e o ministro ocorreram de forma contínua entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, utilizando diversos meios como mensagens de texto, áudios e ligações telefônicas.
Os diálogos acessados demonstram uma relação pessoal entre os dois, que vai além de uma simples interação profissional. A PF destaca que Weverton fez pedidos ao ministro sobre processos que estavam sob sua relatoria, incluindo um encontro pessoal no gabinete de Martins em agosto do ano passado.
Um registro específico de 2 de junho do ano passado mostra trocas de mensagens e uma ligação de aproximadamente cinco minutos, onde o senador menciona problemas de conexão em sua região.
Na mesma data, Martins decidiu transferir Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, condenado pelo assassinato, do presídio de Pedrinhas para Brasília. O crime, que vitimou o empresário João Bosco Sobrinho em 2022, levou à condenação de Cutrim a 13 anos de prisão.
A investigação no STJ busca determinar se o assassinato de Bosco Sobrinho está relacionado a uma cobrança de propina por Daniel Brandão. Em novembro de 2025, o caso foi transferido ao Supremo, em virtude das suspeitas envolvendo Weverton.
Esse episódio se tornou um ponto central nas discussões políticas acerca da corrida eleitoral pelo Governo do Maranhão, gerando trocas de acusações entre diferentes grupos políticos.
A PF também investiga a possibilidade de que o homicídio esteja conectado a desvios de emendas parlamentares relacionadas a contratos no Maranhão.
Os envolvidos, Carlos e Daniel Brandão, não se manifestaram sobre as acusações, mas têm negado qualquer irregularidade. Carlos Brandão afirmou que os processos que enfrenta são fruto de narrativas manipuladas após seu distanciamento de um grupo político.
Daniel Brandão repudiou as tentativas de associá-lo a crimes sem provas e destacou que o condenado já declarou em vídeos que não tem relação com os fatos. Ele acrescentou que as alegações são parte de um contexto eleitoral que busca deslegitimar seu nome.
