Setor de carne bovina aguarda reclassificação do Brasil pela UE e previsão de retomada das importações em 2027

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Expectativa de retorno do Brasil às exportações de carne para a União Europeia até 2027.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, manifestou otimismo em relação à possibilidade de o Brasil ser reintegrado à lista de países autorizados a exportar proteína animal para a União Europeia ainda em 2026.

Durante uma coletiva de imprensa na Beef Week, em São Paulo, Perosa destacou que a União Europeia está realizando uma avaliação detalhada de cada produto, o que inclui a carne bovina, cuja situação ainda não possui uma data definida para uma visita de inspeção.

No início de setembro, a União Europeia suspendeu as importações de produtos de origem animal do Brasil, decisão que foi tomada após a exclusão do país da lista de nações que atendem às normas do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essa medida se deve à preocupação da UE com o uso inadequado dessas substâncias, que são proibidas para estimulação de crescimento em animais.

Perosa afirmou que o setor está solicitando ao governo um período de transição que permita a retomada das exportações antes do prazo de dois anos estipulado pela UE para a reavaliação das práticas de uso de antimicrobianos, especialmente em relação à carne bovina.

Ele acredita que, se a relistagem ocorrer ainda este ano, será possível negociar um período de transição até o primeiro semestre de 2027, facilitando assim a retomada do fluxo comercial.

É importante ressaltar que a relistagem não garante a liberação imediata das exportações, uma vez que a União Europeia exige comprovações rigorosas sobre o manejo dos animais, incluindo a abstinência de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal.

Perosa não detalhou como seria implementado esse período de transição e afirmou que as propostas estão em discussão interna, mas prefere não antecipar detalhes neste momento.

A confiança do setor é reforçada pelos resultados positivos das missões da UE nas cadeias de produção de frango e mel do Brasil, que demonstram uma abertura por parte da autoridade sanitária europeia em relação ao país.

A suspensão das importações não foi motivada por irregularidades encontradas nos produtos brasileiros, mas sim pela avaliação de que os controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos são insuficientes. As carnes bovina e de frango são as mais afetadas, embora representem uma fração menor do valor total das exportações do Brasil.

O tratado de exportação enfrenta resistência por parte de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos, especialmente do Brasil, que é o principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar para o bloco.

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