Setor de Etanol Rejeita Comparação de Flávio Bolsonaro com ‘Reduflação’ e Afirma que Declarações do Candidato São Enganosas
Entidades do setor de etanol rebatem declaração de Flávio Bolsonaro sobre mistura na gasolina.
Entidades que representam a cadeia brasileira de etanol manifestaram, na última sexta-feira (21), seu repúdio a uma declaração do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, que comparou a mistura de 32% de etanol na gasolina à “reduflação”. Este termo se refere à prática de reduzir a quantidade ou o tamanho de um produto para manter seu preço.
Durante uma entrevista, o candidato afirmou que a gasolina se transformou em etanol, citando exemplos de produtos que tiveram suas quantidades reduzidas, como papel higiênico e ovos. Sua declaração gerou reações imediatas no setor de biocombustíveis.
Em uma nota conjunta, as entidades Unica, Unem, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana afirmaram que a fala de Flávio Bolsonaro “desinforma o consumidor” e “desqualifica” uma política de Estado que foi desenvolvida ao longo de cinco décadas no Brasil.
As entidades ressaltaram que essa trajetória inclui iniciativas como o Proálcool, o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro, que passaram por diferentes administrações e foram construídas com a participação de diversos setores.
Os representantes do setor expressaram surpresa com a crítica vinda de alguém que participou da aprovação da Lei do Combustível do Futuro no Senado Federal, destacando que a legislação foi aprovada com seu apoio.
Além disso, Miguel Ivan Lacerda Oliveira, ex-diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério das Minas e Energia e idealizador do RenovaBio, também criticou as declarações do candidato, reforçando a importância do etanol na matriz energética brasileira.
As entidades argumentaram que o etanol, por sua elevada octanagem, é produzido em mais de mil municípios no Brasil, contribuindo significativamente para a geração de empregos e para a soberania energética do país.
O grupo defendeu que a mistura de etanol na gasolina foi implementada com base em critérios técnicos e destacou a colaboração do governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo com a indústria automotiva.
Testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia com 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota brasileira, foram citados como evidência da viabilidade das misturas de etanol, sem prejuízos ao desempenho dos veículos ou ao consumidor.
A nota finalizou reafirmando que o setor brasileiro de etanol continuará a defender, com base em fatos e ciência, o patrimônio energético construído pelo Brasil ao longo dos anos.
