Singapura recupera 25% de suas terras do mar e transforma águas residuais em água potável
Singapura inova em gestão de espaço e recursos hídricos para enfrentar desafios ambientais.
Singapura, uma cidade-estado com mais de seis milhões de habitantes, tem se destacado por sua capacidade de expandir seu território e gerenciar recursos hídricos de forma inovadora. Originalmente cobrindo 580 quilômetros quadrados, a área de Singapura cresceu para 736 quilômetros quadrados em um período de pouco mais de cinquenta anos, um aumento de quase 25%.
A necessidade de criar novos recursos surge da escassez de terra e água. Desde sua independência do Reino Unido, o país não apenas aumentou sua área territorial, mas também desenvolveu um dos sistemas de gestão de água mais avançados do mundo. Este sistema é capaz de transformar águas residuais em água potável, superando os padrões da Organização Mundial da Saúde.
Resiliência territorial de Singapura
Singapura reconheceu que os desafios relacionados à escassez de terra e água estão interligados, e por isso, desenvolve soluções integradas com um planejamento a longo prazo. Seu sistema de esgoto foi projetado para ter uma durabilidade de 100 anos.
Esse modelo representa a resiliência urbana aplicada ao desenvolvimento territorial, permitindo que a cidade lide com mudanças climáticas, demográficas e econômicas por meio de sua infraestrutura. Singapura se tornou um exemplo global, sendo reconhecida por organismos internacionais como um laboratório vivo de resiliência urbana.
A resposta à pergunta sobre por que Singapura implementa tais medidas é fundamentada em três pilares: a geografia, a dependência estratégica e as mudanças climáticas. A geografia do país, menor que a cidade de Nova York, apresenta uma densidade populacional alta e a ausência de grandes reservatórios naturais. Embora a precipitação seja abundante, a coleta de água em uma área tão compacta é um desafio.
A dependência histórica de água importada da Malásia representa uma vulnerabilidade estratégica, enquanto a ameaça das mudanças climáticas, especialmente a elevação do nível do mar, coloca 30% do território a menos de 5 metros acima do nível médio do mar.
Como recuperar terras?
Os projetos de recuperação de terras em Singapura envolvem complexas obras de engenharia. O método tradicional de dragagem de areia do fundo do mar se tornou inviável, uma vez que o país enfrenta restrições na importação de areia devido a preocupações ambientais de seus vizinhos.
Uma alternativa é o uso do conceito de pôlder, que consiste em construir uma barragem para recuperar terras. A água é bombeada para fora, mantendo o solo seco, o que exige um sofisticado sistema de drenagem. No entanto, a recuperação de terras está se tornando cada vez mais cara e complexa.
Megaprojetos de recuperação de terras
Projetos de recuperação de terras em Singapura são visíveis em mapas de satélite, revelando formas geométricas que não existem naturalmente. Exemplos notáveis incluem:
- Pulau Tekong, um projeto de pôlder iniciado em 2008, que será concluído em 2025, abrangendo 810 hectares.
- A Ilha Jurong, um polo petroquímico que surgiu da fusão de várias ilhas.
- Long Island, um ambicioso projeto que unirá três faixas de terra, criando 20 quilômetros de litoral.
Como obter água
A estratégia hídrica de Singapura, gerida pela Agência Nacional de Água, é uma referência global. Ela se baseia em quatro fontes principais: água da bacia local, água importada, dessalinização e NEWater. Essa diversificação visa garantir que o abastecimento de água não seja comprometido, reutilizando cada gota de água.
A coleta de água da chuva é realizada em 17 reservatórios, e um acordo com a Malásia assegura a importação de água até 2061. A dessalinização é realizada por meio de osmose reversa em cinco usinas. A NEWater, que fornece 40% da demanda total, é tratada em um processo de três etapas, resultando em água potável de alta qualidade.
Megaprojetos para captar água
Além das características da estratégia hídrica, Singapura possui projetos impressionantes, como:
- O Sistema de Esgoto em Túnel Profundo (DTSS), uma vasta rede subterrânea para gestão de águas residuais.
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