Sphere em Las Vegas demonstra que público prefere espetáculo a repetição

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A Sphere de Las Vegas redefine o entretenimento ao vivo com resultados financeiros impressionantes.

A Sphere de Las Vegas tem se destacado ao oferecer uma experiência de cinema e shows que transcende o que o streaming e as salas de cinema tradicionais conseguem proporcionar. Inicialmente, havia o temor de que se tornasse apenas mais uma atração extravagante da cidade, mas os números financeiros do primeiro trimestre de 2026 demonstram uma transformação significativa no setor de entretenimento ao vivo.

No primeiro trimestre de 2026, a Sphere Entertainment reportou uma receita de US$ 386,4 milhões, representando um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior. Pela segunda vez, a empresa, que pertence a James Dolan, também proprietário do Madison Square Garden, fechou um trimestre com lucro operacional de US$ 7,2 milhões, contrastando com um prejuízo de US$ 78,6 milhões registrado um ano antes. A divisão que opera a Sphere quase dobrou sua receita, alcançando US$ 266 milhões, impulsionada em grande parte pela exibição de O Mágico de Oz.

Apesar do crescimento, nem todas as notícias são positivas. Embora as ações da empresa tenham subido 400% no último ano, houve uma queda de mais de 5% no dia da divulgação dos resultados, pois os investidores compararam o desempenho com o trimestre anterior, que foi ainda mais forte. Essa volatilidade é um indicativo de que o negócio depende fortemente do calendário de espetáculos. Para garantir um fluxo constante de receita, a empresa já anunciou com antecedência as temporadas de shows do Metallica e dos Backstreet Boys.

O sucesso de O Mágico de Oz

Em 2025, a Sphere se uniu ao Google para recriar, utilizando inteligência artificial, a obra clássica O Mágico de Oz, de 1939. O projeto, que custou US$ 100 milhões, utilizou tecnologias avançadas para expandir a narrativa e introduzir personagens que não estavam presentes no filme original. Essa abordagem inovadora, que encurtou a duração do filme para pouco mais de uma hora, gerou críticas intensas devido à sua radical reformulação visual.

A redução na duração do filme permitiu um aumento no número de sessões diárias. Os ingressos eram vendidos a partir de US$ 104, podendo ultrapassar os US$ 200, dependendo da localização. Desde sua estreia em agosto de 2025, mais de 2 milhões de ingressos foram vendidos, resultando em uma receita de US$ 260 milhões. Dolan afirmou que esses números comprovam a eficácia do modelo de negócios da Sphere, destacando que o sucesso foi alcançado com uma versão do filme que se afastou significativamente da obra original.

Cinema em queda, shows em alta

Enquanto isso, o setor tradicional de cinema continua enfrentando dificuldades. Nos Estados Unidos, apenas metade dos adultos frequentou salas de cinema em 2025, com 769 milhões de ingressos vendidos, um número muito abaixo do recorde de 1,6 bilhão de 2002. Contudo, os formatos premium, como o IMAX, estão em ascensão, com uma receita recorde de US$ 410 milhões e uma bilheteira global de US$ 1,28 bilhão, impulsionada por sucessos como Sinners e F1.

Por outro lado, a indústria de shows se mantém forte. A Live Nation, por exemplo, encerrou 2025 com uma receita de US$ 25,2 bilhões. Nesse cenário, a Sphere se destaca como uma das casas de espetáculos que mais vendem ingressos globalmente, ficando atrás apenas de algumas das maiores arenas do mundo. A demanda do público por experiências únicas e memoráveis é clara, em contraste com a busca por opções genéricas.

A Sphere também diversifica suas fontes de receita, aproveitando sua fachada externa, a Exosphere, a maior tela de LED do mundo, que gera receitas significativas através de publicidade. A empresa firmou acordos de patrocínio, como o da Evian, que se tornou fornecedora oficial de água do espaço, e analistas estimam que a publicidade poderá representar mais de 10% da receita total nos próximos anos.

Embora Las Vegas tenha registrado uma queda no número de visitantes em 2025, a Sphere Entertainment segue em expansão, com planos para abrir novas unidades, incluindo uma em National Harbor, Maryland, prevista para 2030.

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