Streaming atrasa transmissão de jogos em relação à antena e gera reclamações
O atraso nas transmissões de futebol por streaming pode surpreender os espectadores.
Quem assiste a jogos de futebol por streaming frequentemente se depara com uma situação peculiar: ouvir os vizinhos comemorando um gol antes de ver a jogada na própria tela. Esse fenômeno, cada vez mais comum com a popularização das transmissões online, tem uma explicação técnica relacionada à forma como o conteúdo é entregue ao espectador.
A internet transformou o consumo de esportes ao vivo, mas ainda enfrenta um desafio que a televisão aberta consegue minimizar: o atraso entre o evento real e a exibição da imagem. Esse atraso, conhecido como “delay”, pode variar significativamente entre diferentes tipos de transmissão.
O que é o delay nas transmissões?
O “delay” é o intervalo entre o momento em que um evento ocorre e quando ele aparece na tela do espectador. Em transmissões via antena terrestre, esse atraso é geralmente de poucos segundos. No entanto, em plataformas de streaming, o atraso pode variar de 10 a 60 segundos, ou até mais em algumas situações, o que leva muitos espectadores a descobrir um gol ou um lance decisivo antes de vê-lo na tela.
Por que a TV aberta ainda é mais rápida?
A diferença entre a antena digital e o streaming está na forma como o sinal é distribuído. Na televisão aberta, o conteúdo é transmitido por meio de um sistema de radiodifusão conhecido como broadcast. Esse sistema permite que uma única transmissão chegue simultaneamente a milhões de receptores.
Após a imagem ser gerada na emissora, ela é enviada para torres de transmissão e chega diretamente às antenas instaladas nas residências. Embora haja algum processamento digital nesse percurso, o caminho é relativamente curto, resultando em um atraso que varia entre dois e dez segundos em relação ao evento real.
Sinais de streaming percorrem um caminho mais longo
No streaming, a transmissão não é enviada de uma só vez para todos os espectadores. Cada usuário recebe seu próprio fluxo de dados pela internet, tornando o processo mais complexo. Quando uma partida é captada, o sinal bruto passa por várias etapas antes de ser exibido na tela do usuário.
Primeiro, o vídeo é codificado e comprimido para facilitar o envio pela internet. Em seguida, é dividido em pequenos segmentos e distribuído por redes globais de servidores, conhecidas como CDNs (Content Delivery Networks). Somente após essas etapas, os dados começam a percorrer o caminho até os dispositivos conectados, e cada etapa adiciona frações de segundo ao processo, resultando em atrasos significativos.
Além disso, as plataformas utilizam um recurso chamado buffer, que armazena alguns segundos da transmissão antes de exibi-la ao usuário, evitando travamentos. Contudo, esse recurso também contribui para o aumento do delay.
Qualidade da internet também influencia na transmissão
A velocidade da conexão, a qualidade do roteador, a quantidade de dispositivos conectados à rede e a distância entre o usuário e os servidores podem impactar o tempo de resposta. Assim, duas pessoas assistindo ao mesmo jogo no mesmo serviço de streaming podem ter experiências diferentes em relação ao tempo de exibição.
Streaming ou antena: qual vale mais a pena?
O streaming oferece conveniência e a possibilidade de assistir aos jogos em diferentes dispositivos, mas ainda apresenta um atraso em relação às transmissões tradicionais. A antena digital, por sua vez, continua sendo a opção mais próxima do tempo real, com um delay significativamente menor.
Para aqueles que desejam acompanhar cada lance no momento exato em que acontece, especialmente em eventos como a Copa do Mundo ou finais de campeonatos, a antena digital na TV de casa pode ser a escolha preferida. Além de garantir imagem em alta definição sem depender da internet, ela reduz as chances de descobrir um gol pelos gritos dos vizinhos.
