Streaming no Brasil: usuários adotam rodízio de assinaturas e transformam o mercado

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Mercado de streaming no Brasil enfrenta mudanças significativas no comportamento dos consumidores.

O mercado de streaming no Brasil está passando por uma forte racionalização, caracterizada pela diminuição da fidelidade dos consumidores às plataformas e pela adoção de um comportamento mais pragmático na hora de escolher onde investir seu dinheiro.

Os usuários estão abandonando as assinaturas fixas e optando por alternar entre serviços conforme o conteúdo disponível no momento, uma prática conhecida como “rodízio de assinaturas”. Essa mudança reflete a nova realidade em que o consumidor brasileiro não se vincula a uma única plataforma, mas sim escolhe o que assistir no momento e ajusta suas escolhas posteriormente.

A facilidade de cancelar serviços digitais, em contraste com a burocracia da TV por assinatura tradicional, tem sido um fator chave para essa mudança de comportamento. Os usuários agora assinam plataformas temporariamente para acompanhar lançamentos específicos, como séries, reality shows ou eventos esportivos, e logo em seguida cancelam para migrar para outra opção.

O especialista em marketing digital e tecnologias, Thiago Muniz, destaca que a fidelidade dos consumidores é cada vez menor. O foco não está na plataforma, mas no conteúdo que desejam assistir no momento. Além disso, o fenômeno conhecido como “fear of missing out” (FOMO) tem impulsionado os usuários a se inscreverem em serviços temporários para não ficarem de fora de conversas sobre conteúdos populares.

Com a fragmentação do mercado e o aumento da concorrência, os consumidores estão limitando seus gastos mensais com streaming. A tendência é que mantenham apenas duas ou três assinaturas principais, priorizando aquelas que oferecem mais variedade e novidades.

Dados recentes indicam que cerca de 50% dos brasileiros preferem planos com publicidade em troca de mensalidades mais baratas. Os usuários buscam uma combinação de plataformas que atendam a diferentes momentos do dia e suas realidades financeiras.

O mercado brasileiro de streaming continua dominado por gigantes internacionais. O Prime Video lidera com 21% de participação de mercado, seguido pela Netflix com 19%, Disney+ com 18%, e outras plataformas como HBO Max e Globoplay com participações menores. O Globoplay, após uma queda significativa em 2025, apresentou um crescimento expressivo em 2026, impulsionado por eventos ao vivo e transmissões esportivas.

Enquanto isso, a Apple TV+ se destaca como o segundo maior mercado em número de assinantes, mesmo sem priorizar produções brasileiras. A Netflix, por sua vez, anunciou investimentos de US$ 135 bilhões em filmes e séries ao longo de dez anos, contribuindo significativamente para a economia global e criando centenas de milhares de empregos.

A recente disputa pela Warner Bros. Discovery, que culminou na venda para a Paramount por US$ 110 bilhões, reflete a tendência de consolidação no setor. Especialistas alertam que essa concentração pode diminuir a diversidade de conteúdo disponível, uma vez que poucos grupos dominarão o mercado.

O interesse por conteúdos exclusivos e transmissões esportivas permanece forte, com 65% dos usuários buscando plataformas por títulos exclusivos. O modelo híbrido com publicidade está em ascensão, com metade dos consumidores brasileiros dispostos a aceitar anúncios em troca de preços mais baixos.

Apesar do crescimento do streaming, a televisão tradicional ainda mantém uma presença significativa, com os brasileiros assistindo, em média, cinco horas diárias de TV convencional. O consumo de conteúdo se distribui ao longo do dia e entre diferentes dispositivos, evidenciando que nenhuma plataforma, isoladamente, captura toda a jornada do consumidor.

Para enfrentar a baixa fidelidade, muitas empresas de TV estão adotando modelos de “superbundles”, que combinam TV por assinatura e múltiplos serviços de streaming em uma única conta. Essa estratégia visa aumentar a retenção de clientes e o valor médio por cliente, mas o cenário competitivo deve permanecer desafiador.

Com a crescente adoção de TVs conectadas e a combinação de serviços de streaming, a disputa por espaço no orçamento do consumidor se intensifica. O mercado deve continuar se ajustando, com menos espaço para decisões de gastos, o que torna a competição por cada assinatura ainda mais feroz.

A seguir, confira a faixa de preço das principais plataformas de streaming no Brasil:

  • Disney+: de R$ 27,99 a R$ 66,90/mês;
  • Netflix: de R$ 20,90 a R$ 59,90/mês;
  • Paramount+: de R$ 34,90 a R$ 44

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