Supervulcão pode ser sustentado por fonte inesperada, revelam pesquisadores
Estudo revela novo mecanismo de alimentação do supervulcão de Yellowstone.
O supervulcão de Yellowstone, localizado nos Estados Unidos, pode estar sendo alimentado por um mecanismo inédito, diferente do que se acreditava anteriormente. Pesquisadores propõem que, ao invés de receber magma de uma pluma mantélica, o sistema vulcânico é abastecido por um “vento” subterrâneo que transporta rochas quentes através do manto terrestre.
Essa nova teoria pode esclarecer como Yellowstone mantém seu vasto sistema de magma ativo por milhões de anos e pode alterar a compreensão sobre outros supervulcões em todo o mundo.
Supervulcões são considerados os fenômenos geológicos mais poderosos da Terra. Suas erupções podem liberar mais de 1.000 quilômetros cúbicos de magma, cinzas e rochas, causando impactos que podem modificar o clima global e afetar ecossistemas e sociedades inteiras.
O “vento do manto”
Por muitos anos, a hipótese predominante era que Yellowstone era alimentado por uma pluma mantélica profunda, uma coluna de material quente proveniente do núcleo da Terra. Contudo, um novo modelo tridimensional sugere uma explicação alternativa.
De acordo com a pesquisa, um fluxo horizontal de material quente na astenosfera, a camada logo abaixo da litosfera, estaria transportando calor em direção a Yellowstone. Os cientistas se referem a esse movimento como “vento do manto”, que, embora tenha o nome de vento, não se relaciona com as correntes atmosféricas. Trata-se de um deslocamento lento de rochas quentes dentro da Terra.
Quando esse material atinge a espessa litosfera da América do Norte, ele é forçado para baixo, criando condições propícias para a fusão parcial das rochas, um processo conhecido como fusão por descompressão. O magma resultante alimenta o sistema vulcânico.
Diferentemente da ideia de enormes câmaras de magma líquido, Yellowstone parece possuir uma vasta rede subterrânea composta por regiões de rocha parcialmente derretida, denominada “pasta magmática”. Somente pouco antes de uma erupção é que uma câmara mais rica em magma líquido poderia se formar temporariamente.
O “vento do manto” desempenha um papel crucial na formação da estrutura subterrânea de Yellowstone. O movimento do material quente, aliado às forças exercidas pela litosfera, cria um canal inclinado que facilita a ascensão e circulação do magma ao longo do tempo.
Ele poderia entrar em erupção?
O novo modelo apresentou resultados que se alinham com observações geofísicas e geoquímicas já registradas na região, oferecendo uma das explicações mais completas sobre a origem e manutenção dos grandes sistemas magmáticos sob supervulcões.
Embora Yellowstone seja monitorado constantemente devido ao seu potencial eruptivo, o estudo não indica que uma erupção seja iminente.
Entretanto, caso ocorra uma erupção, as consequências seriam imensas, com magma podendo ser lançado a até 1.000 quilômetros de distância, e o fenômeno poderia durar semanas.
