Tabagismo gera 244 bilhões de dólares por ano e se torna a indústria mais significativa da China

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O tabaco se mantém como um pilar econômico crucial na China, apesar das preocupações de saúde.

A economia chinesa é frequentemente associada a inovações como carros elétricos e energias renováveis. Contudo, um dos seus pilares financeiros mais significativos é o tabaco, um setor que continua a prosperar e gerar lucros substanciais.

A China consome aproximadamente metade de todos os cigarros produzidos globalmente, com vendas que alcançam cerca de 2,4 trilhões de unidades anualmente. Esse dado impressionante coloca o país em uma posição singular no cenário mundial, contrastando com a tendência global de redução do consumo de tabaco.

Enquanto muitos países buscam reduzir o uso do tabaco, a China apresenta uma realidade oposta. O monopólio estatal do tabaco é uma poderosa engrenagem econômica, gerando cerca de 244 bilhões de dólares em lucros e impostos, representando aproximadamente 7% da arrecadação do governo central. Esse montante é comparável ao orçamento oficial de defesa do país.

Curiosamente, o presidente Xi Jinping, que parou de fumar há anos, reconhece o tabagismo como um problema sério. Em seus primeiros anos de governo, houve tentativas de implementar restrições mais rígidas, como a proibição do fumo em eventos oficiais e o aumento dos impostos sobre o tabaco em 2015.

A primeira-dama, Peng Liyuan, também se envolveu em campanhas antitabagismo, mas o impulso para restringir o consumo perdeu força rapidamente. O governo chinês depende substancialmente da receita gerada pelo tabaco, o que complica qualquer iniciativa de controle do fumo.

A State Tobacco Monopoly Administration é a entidade responsável por regular e controlar o setor. Essa estrutura única no país permite que o regulador e a empresa que fabrica a maioria dos cigarros sejam a mesma, resultando em uma influência política significativa.

Pesquisas acadêmicas indicam que o monopólio do tabaco frequentemente bloqueia iniciativas de saúde pública. Em 2017, uma proposta para proibir o fumo em ambientes fechados foi rejeitada, transferindo a responsabilidade para governos locais, onde as restrições são frequentemente fracas.

Financiando prioridades estratégicas

Os recursos financeiros provenientes do tabaco não apenas sustentam orçamentos locais, mas também financiam prioridades estratégicas do governo, como o fortalecimento do sistema financeiro e investimentos em tecnologia. O monopólio do tabaco contribuiu com mais de 1 bilhão de dólares para o fundo nacional de semicondutores, essencial para a autonomia tecnológica da China.

Em regiões produtoras, como Yunnan, os impostos sobre o tabaco representam mais da metade do orçamento municipal. Isso explica a resistência de muitos governos locais a implementar medidas contra o tabagismo, uma vez que a redução do consumo poderia resultar em grandes déficits financeiros.

Enquanto muitos países observam uma diminuição no consumo de tabaco devido ao aumento dos vapes, na China, o governo endureceu as normas sobre cigarros eletrônicos, visando proteger o mercado tradicional. Além disso, as advertências sanitárias nos maços de cigarro são menos agressivas do que em outras partes do mundo.

A taxa de fumantes na China tem mostrado uma leve queda, especialmente entre os jovens, mas o volume total de vendas continua a crescer, em parte devido à cultura social em torno do tabaco, que se mantém forte em tempos de pressão econômica.

Essa situação reflete uma contradição profunda: enquanto a China reconhece o tabaco como um problema de saúde pública e estabelece metas para reduzir o número de fumantes, sua economia continua a depender da venda de cigarros, criando um ciclo vicioso que dificulta a implementação de políticas eficazes de controle do tabagismo.

Assim, o setor do tabaco na China não é apenas uma questão de saúde, mas também um componente crucial da economia nacional, sustentando uma parte significativa do orçamento e mantendo a estabilidade financeira do país.

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