Tarcísio pode garantir reeleição no primeiro turno, indica pesquisa; trajetória é relembrada
Governador Tarcísio de Freitas se destaca em pesquisa para reeleição em São Paulo.
O governador Tarcísio de Freitas chega à eleição deste domingo (4) em uma posição favorável, diferente da disputada em 2022 contra Fernando Haddad. Com uma vantagem expressiva nas pesquisas, ele está projetado para vencer já no primeiro turno, acumulando 57,4% dos votos válidos, em comparação aos 41,6% de Haddad.
Nos votos totais, que englobam brancos e nulos, Tarcísio soma 55,6% contra 40,3% de Haddad. A pesquisa, realizada com 2.243 entrevistados entre 27 de setembro e 2 de outubro, apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais.
A trajetória que levou Tarcísio à reeleição foi marcada por reviravoltas. Inicialmente considerado um forte candidato à presidência, ele teve seus planos frustrados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que optou por manter seu apoio dentro da família. Haddad, que inicialmente se mostrava relutante em concorrer, acabou sendo convencido pela pressão do presidente Lula, que desejava um palanque robusto do PT em São Paulo.
O último governador a vencer no primeiro turno foi Geraldo Alckmin, em 2014. Em levantamentos anteriores, Tarcísio já se mostrava à frente, com 53,3% das intenções de voto, enquanto Haddad aparecia com 40,1%. Diversos institutos de pesquisa indicam a possibilidade de Tarcísio garantir a vitória sem a necessidade de um segundo turno.
Em 2022, as pesquisas indicavam Haddad como líder ou em empate técnico com Tarcísio, que só superou o rival no dia da votação, obtendo 42,32% dos votos contra 35,7% de Haddad, ampliando sua vantagem no segundo turno.
Tarcísio e a gratidão da direita
Quatro anos atrás, Tarcísio era um novato na política, identificado principalmente como o candidato de Jair Bolsonaro. Atualmente, ele demonstrou sua lealdade ao ex-presidente, apoiando Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e intensificando a colaboração nas últimas semanas de campanha.
Em um ato de campanha, Tarcísio manifestou sua disposição de apoiar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, independentemente do resultado da eleição paulista. A estratégia de sua campanha, no entanto, foi focar em sua gestão e na promoção de prosperidade para os paulistas, refletida no fenômeno do voto “Tarula”, onde 11% dos eleitores de Tarcísio também apoiam Lula.
Haddad, por outro lado, se concentrou em suas propostas para o Estado, defendendo o governo Lula e tentando desgastar a imagem de Tarcísio. Contudo, suas críticas à administração do governador não impactaram significativamente, já que a aprovação de Tarcísio se manteve acima de 50% durante a campanha.
Com uma base consolidada e um alto índice de aprovação, Tarcísio conseguiu atrair o apoio de 11 partidos, o que contribuiu para o esvaziamento de candidaturas. O PSDB, que dominou o Estado por quase 30 anos, optou por não lançar um candidato e focar nas eleições para a Câmara dos Deputados.
Ambições maiores?
A liderança nas pesquisas também intensificou a disputa pela vaga de vice, uma posição cobiçada devido ao fato de que Tarcísio está em seu segundo mandato. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, esperava ser indicado, dado seu papel crucial na candidatura de Tarcísio em 2022.
O PL, por sua vez, visava emplacar André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa, que apoiou a aprovação de projetos importantes. No entanto, Tarcísio optou por manter Felício Ramuth como seu vice, demonstrando uma estratégia de controle sobre sua sucessão.
No campo da esquerda, a disputa se concentrou em quem não ficaria com a vice de Haddad, com os partidos voltando suas atenções para as vagas ao Senado, que apresentavam melhores chances de vitória.