TCU aprova concessão da Rota Agro Central
TCU aprova concessão da Rota Agro Central, vital para o escoamento de grãos no Brasil.
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, na quarta-feira, o prosseguimento da concessão da Rota Agro Central, um projeto que abrange 887,6 km das BRs 070, 174 e 364, localizadas em Mato Grosso e Rondônia. O investimento previsto para a iniciativa é de R$ 5,995 bilhões ao longo de 30 anos.
O governo federal planeja realizar o leilão para a concessão em 10 de dezembro de 2026. Contudo, essa data está sujeita à publicação do edital e à incorporação dos ajustes determinados pelo TCU pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O cronograma foi apresentado pelo diretor-geral da ANTT no início de agosto.
O projeto, denominado Lote CN3, é composto por quatro segmentos rodoviários. O primeiro trecho é a BR-070/MT, que vai do entroncamento com a BR-364, em Várzea Grande, até a BR-174, em Cáceres. O segundo trecho é a BR-174/MT, que liga Cáceres a Comodoro. O terceiro segmento abrange a BR-364/MT, entre Sapezal e a divisa com Rondônia, enquanto o último trecho está na BR-364/RO, conectando a divisa dos estados ao entroncamento com a BR-435, em Vilhena.
Em Vilhena, a Rota Agro Central se interliga à Rota Agro Norte, que segue até Porto Velho. Esses corredores são essenciais para conectar as áreas produtoras de Mato Grosso aos terminais portuários da capital de Rondônia e à hidrovia do rio Madeira.
A rodovia é crucial para o transporte de soja e milho produzidos em Mato Grosso, direcionando-os para os portos do Arco Norte. Este complexo logístico, que inclui portos, hidrovias, ferrovias e rodovias nas regiões Norte e Nordeste, permite que a produção agrícola evite o trajeto mais longo até os portos do Sul e Sudeste, resultando em redução de distâncias e custos logísticos.
Dados do Ministério dos Transportes indicam que a participação dos portos do Arco Norte nas exportações brasileiras de soja, milho e algodão cresceu de 16% em 2012 para 36% em 2022. Durante o mesmo período, o volume movimentado por esses portos aumentou de aproximadamente 10 milhões para mais de 50 milhões de toneladas.
AJUSTES NO PROJETO
O TCU analisou principalmente o impacto de futuras ferrovias sobre o tráfego de veículos na Rota Agro Central. A demanda projetada considerou que a construção de ferrovias como a Ferrogrão e a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) poderia reduzir o volume de cargas nas rodovias.
Com a expectativa de diminuição do tráfego, 154 km de terceiras faixas deixaram de ser investimentos obrigatórios, passando a depender de gatilhos de volume de veículos. Assim, as obras só serão realizadas caso o movimento nas rodovias alcance determinados patamares.
