Tereza Cristina defende fertilizantes como questão de segurança nacional

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Impactos da guerra no Irã afetam o agronegócio brasileiro, diz senadora.

O agronegócio brasileiro está observando atentamente as consequências da guerra no Irã, que estão influenciando os preços dos fertilizantes no mercado internacional. O assunto se tornou recorrente em eventos do setor, refletindo a preocupação dos profissionais da área.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) classificou a situação como um “problema de segurança nacional” durante uma coletiva de imprensa em um evento em São Paulo. Sua declaração sublinha a gravidade da questão para o setor agrícola do país.

A ex-ministra da Agricultura destacou a falta de planejamento estratégico como um dos principais fatores que agravam a dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados. O Plano Nacional de Fertilizantes, que visa reduzir essa dependência, ainda não foi plenamente implementado.

Tereza Cristina também mencionou os obstáculos ambientais e regulatórios que dificultam o avanço de projetos importantes, como o projeto de Autazes (MA). Este projeto, que já obteve as licenças ambientais necessárias, enfrenta contestações judiciais e possui um orçamento estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões, com uma expectativa de produção anual de 2,2 milhões de toneladas de cloreto de potássio.

Além de pressionar os preços dos fertilizantes, o conflito no Oriente Médio também impacta o preço do petróleo e o setor energético. No Brasil, isso se traduz em um aumento no custo do diesel e dificuldades de abastecimento em várias regiões.

Em resposta a essa situação, a senadora defende que o Brasil deve aumentar a mistura de biodiesel no diesel, que atualmente está em 15%. Ela enfatiza a importância de incentivar políticas e produtos que promovam o uso de biocombustíveis e etanol na matriz energética do país.

Economista da FGV tem visão mais otimista

O economista Felipe Serigatti, da Fundação Getulio Vargas, apresentou uma perspectiva mais otimista em relação ao impacto da guerra no Irã sobre a economia brasileira. Durante sua palestra na Fruit Attraction São Paulo, uma feira dedicada ao setor de frutas, ele analisou o cenário atual.

Segundo Serigatti, apesar da crise, o Brasil não é a economia mais vulnerável aos efeitos do conflito. Contudo, ele expressou preocupação com a disponibilidade de diesel, especialmente em um ano eleitoral, prevendo que os impactos econômicos mais significativos se manifestarão em 2027.

O economista também comentou sobre o momento positivo da safra brasileira, que deve registrar uma produção recorde de grãos. No entanto, ele alertou que as margens das atividades agrícolas continuarão sob pressão devido à incerteza global e à acomodação dos preços.

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