Terremoto impacta exportações de café da Colômbia e coloca embarques internacionais em risco
Terremoto na Colômbia deixa mais de 250 mortos e milhares de feridos e desabrigados.
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia, resultando em mais de 250 mortes e um grande número de feridos e desabrigados. O desastre natural, ocorrido na segunda-feira (10), causou interrupções significativas na logística de exportação de café, uma das principais commodities do país.
A Colômbia, terceiro maior produtor mundial de café, desempenha um papel vital no fornecimento de café arábica lavado, uma variedade altamente valorizada. Em 2024/25, o país produziu cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 kg e exportou aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025.
Com a interrupção causada pelo terremoto, bloqueios e deslizamentos de terra dificultam o transporte do café colombiano para o porto de Buenaventura, essencial para as exportações. Essa situação pode levar a atrasos nas entregas e afetar o mercado internacional.
Na terça-feira (11), as cotações do café arábica subiram 1,04%, fechando a cerca de US$ 3,34 por libra-peso, refletindo preocupações com a oferta global e os impactos do terremoto nas exportações colombianas.
O porto de Buenaventura é crucial, com mais de 60% das exportações de café do país passando por ele. Entretanto, com as estradas bloqueadas, os exportadores enfrentam dificuldades para transportar a carga das regiões produtoras até o terminal, impactando diretamente a cadeia de suprimentos.
“Eu não posso, neste momento, levar carga até o porto de Buenaventura a partir do interior do país”, afirmou Gustavo Gómez, presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café.
Além do acesso ao porto, o terremoto afetou regiões importantes para o processamento do café, como Manizales, Pereira e Armenia. Isso cria um gargalo, onde o café pode ser produzido e processado, mas não consegue chegar ao porto devido às dificuldades logísticas.
As restrições podem causar a retenção de cerca de 250 mil sacas por semana, o que representa mais de 1.000 contêineres parados. A Asoexport estima que a dificuldade de retirar o café processado pode levar a uma redução no ritmo de processamento, afetando também a compra do café dos agricultores.
“As operações estão muito paradas, quase paralisadas, e isso pode prejudicar a compra de café”, alertou Gómez.
Com Buenaventura comprometido, os exportadores estão explorando alternativas na costa do Caribe, como Cartagena e Santa Marta. No entanto, a falta de caminhões e o impacto de deslizamentos em rotas alternativas complicam ainda mais a situação.
A Asoexport está colaborando com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte e planeja utilizar os portos do Caribe enquanto as operações em Buenaventura não forem normalizadas.
Enquanto isso, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia está avaliando os danos nas áreas produtoras. Famílias de várias regiões, como Risaralda e Valle del Cauca, relataram impactos em suas propriedades e infraestrutura rural. O levantamento busca dimensionar os danos e garantir a continuidade da assistência técnica e da compra do café produzido.
O impacto da interrupção logística pode afetar também os compradores internacionais, pois atrasos nas exportações podem ser mal interpretados como problemas comerciais. A Asoexport está comunicando a situação aos clientes para evitar mal-entendidos.
Ainda não há previsão para a normalização das exportações, que dependerá da recuperação das estradas e da liberação do acesso ao porto de Buenaventura.
