Trabalhador nepalês relata fuga desesperada de avalanche após túnel ser inundado

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Drone térmico não detecta sobreviventes em túnel afetado por enchentes no Nepal

Trabalhadores de usinas hidrelétricas no Nepal relataram momentos de terror quando as águas do rio Trishuli invadiram um túnel durante enchentes devastadoras em 26 de agosto.

Pemba Dundu Tamang, um dos trabalhadores, descreveu uma rajada de vento repentina que lançou placas de madeira e deslocou máquinas pesadas. Enquanto isso, do lado de fora, casas eram arrastadas pela correnteza.

“Eu corri em direção à entrada do túnel. A água vinha atrás de mim, e eu corria à frente dela.”

Tamang perdeu vários parentes que estavam em casa no momento da tragédia. O número de mortos no Nepal já ultrapassa mil, com cerca de quatro mil pessoas ainda desaparecidas.

Entre os desaparecidos estão trabalhadores que atuavam em uma rede de túneis de usinas hidrelétricas ao longo do rio. As operações de busca e resgate estão em andamento, com engenheiros bombeando ar para dentro dos túneis.

O porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet, afirmou que o foco está nas operações de resgate e na coleta de corpos para evitar a propagação de doenças.

Na terça-feira, 119 pessoas foram resgatadas. Tamang, que correu por 20 minutos para escapar da enchente, relatou o choque e a confusão que sentiu durante a fuga.

“Eu estava quase inconsciente de tanto choque. Não conseguia pensar com clareza.”

Mais de 99% da eletricidade do Nepal é gerada por usinas hidrelétricas, e Tamang estava trabalhando na construção da usina Trishuli-3B, que deveria ser inaugurada no próximo ano.

A usina foi projetada para reaproveitar a água de outra hidrelétrica e aumentar a geração de eletricidade. Tamang percebeu a gravidade da tragédia quando viu que sua casa havia desaparecido.

“Eu conseguia ver o lugar onde minha casa deveria estar. Não havia sobrado nada. Foi então que percebi que tudo tinha desaparecido.”

Seis parentes de Tamang desapareceram, incluindo sua mãe e irmãos. Apenas sua esposa e um filho sobreviveram.

Sofrimento dos sobreviventes

Tamang expressou a dor de sobreviver: “Sinto que a vida não tem mais sentido. Sobreviver é doloroso. Não sei onde vou comer nem para onde vou.”

Seu colega, Itha Ghale, que perdeu oito familiares, também se questiona sobre sua sobrevivência. Ambos estão preocupados com o futuro, especialmente se os projetos hidrelétricos forem interrompidos.

Tamang conseguiu abrigo em Shanti Bazar, onde ficou por dois dias antes de ser resgatado. Ele estima que entre 50 e 60 trabalhadores conseguiram escapar do túnel.

Especialistas apontam que havia sinais de instabilidade na região da geleira antes do desastre, e que sistemas de alerta mais eficazes poderiam ter salvado vidas.

Imagens de satélite revelaram que a superfície da geleira estava se deslocando rapidamente, indicando uma possível instabilidade. A avalanche se moveu rápido demais para que os sistemas de alerta tradicionais fossem eficazes.

Enquanto isso, equipes de resgate continuam a trabalhar entre os destroços, utilizando máquinas pesadas para tentar alcançar os trabalhadores que ainda estão presos.

“Provavelmente ainda há sobreviventes lá dentro. Conheço muitas pessoas que ainda estão presas lá.”

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