Tragédia no Himalaia: Nepal realiza enterro coletivo após avalanche que deixou 919 mortos e mais de 4 mil desaparecidos
Desastre no Nepal deixa centenas de mortos e desaparecidos após colapso de geleira.
No Nepal, as autoridades confirmaram 903 mortes e 4.247 desaparecidos devido a um desastre natural que atingiu a região próxima à fronteira com a China. No lado chinês, foram registradas 16 mortes e 546 desaparecidos.
Centros de resgate e hospitais estão lotados, com familiares em busca de informações sobre seus entes queridos desaparecidos. Muitos enfrentam a dolorosa tarefa de identificar corpos em necrotérios improvisados, que estão sobrecarregados devido ao grande número de vítimas.
Entre os desaparecidos, 933 trabalhadores de usinas hidrelétricas estão sendo procurados. No último domingo, soldados e engenheiros do Exército nepalês iniciaram operações de resgate, perfurando escombros para alcançar trabalhadores que podem estar presos em túneis de uma usina hidrelétrica no vale do rio Himalaia. As equipes conseguiram inserir um tubo no túnel para facilitar o resgate.
Sobreviventes relataram cenas devastadoras. Um trabalhador, Surendra Dowluri, de 33 anos, descreveu ter sido atingido por uma forte correnteza enquanto trabalhava. Após ser resgatado, ele contou que ouviu um som estrondoso e viu que o local onde estavam ficou submerso em lama, resultando em seis trabalhadores presos.
“Ouvimos um som muito forte… e vimos que o andar da turbina estava submerso em lama. Seis trabalhadores ficaram presos ali”, disse Dowluri.
Os esforços de resgate conseguiram salvar cinco trabalhadores, mas uma pessoa não sobreviveu. Outros conseguiram alcançar áreas mais altas ou partes da usina que não foram afetadas pela correnteza.
Corpos são identificados por DNA
O desastre foi causado pelo colapso parcial de uma geleira, que gerou uma enorme quantidade de água e detritos, transformando um rio em uma correnteza devastadora que avançou rapidamente pelo vale.
As equipes de resgate chinesas, que atuavam perto do porto fronteiriço de Gyirong, foram evacuadas após a formação de um novo lago provocado por um deslizamento de terra.
O número de desaparecidos no Nepal foi atualizado para 4.247, enquanto as autoridades confirmaram 903 mortes. Devido à quantidade de corpos recuperados e à falta de espaço adequado para armazená-los, as autoridades iniciaram sepultamentos antes que todos fossem identificados.
Para facilitar a identificação, amostras de DNA foram coletadas dos corpos, permitindo que os familiares realizem a identificação posteriormente e cumpram os rituais funerários tradicionais.
Familiares que chegam aos centros de identificação se deparam com telas de LED exibindo fotografias dos corpos encontrados, em algumas situações precisando fechar os olhos diante das imagens. Shobha Adhikary, ao observar uma das fotografias, disse acreditar ter reconhecido seu melhor amigo de infância.
“Não sobrou nada”
Os sobreviventes enfrentam agora o desafio de reconstruir suas vidas. Buddhi Ram Dangol, um morador do distrito de Nuwakot, relatou que todos os vilarejos próximos ao rio foram devastados.
“Todos os vilarejos próximos do rio foram arrasados. Não sobrou nada”, afirmou Dangol.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, descreveu a situação como um desastre “inimaginável e desolador”, prevendo que o custo da reconstrução pode alcançar bilhões de dólares. Ele também destacou a contradição entre os impactos enfrentados pelo Nepal e sua contribuição para o aquecimento global, uma vez que o país tem uma das menores emissões de carbono per capita do mundo.
As dificuldades de acesso à região afetada foram evidentes, com equipes chinesas conseguindo avançar apenas 285 metros em direção ao epicentro da tragédia.
