Trump apresenta acordo nuclear com a Arábia Saudita ao Congresso, mas impõe barreira para progresso
EUA propõem acordo nuclear com a Arábia Saudita condicionado a adesão aos Acordos de Abraão
O presidente dos Estados Unidos enviou ao Congresso um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, que só avançará se o país árabe se juntar aos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre Israel e nações árabes.
Este pacto nuclear possibilita à Arábia Saudita desenvolver um programa de energia nuclear civil, incluindo o enriquecimento de urânio. O acordo permitirá a participação de empresas americanas no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita e terá validade de 30 anos.
Entretanto, a proposta enfrenta resistência de parlamentares dos EUA e autoridades internacionais, que expressam preocupações sobre os riscos de proliferação nuclear no Oriente Médio. Críticos argumentam que permitir o enriquecimento de urânio pela Arábia Saudita pode desencadear uma corrida nuclear na região, além de enfraquecer a posição dos EUA contra o programa nuclear do Irã.
O texto do acordo estabelece uma base legal para a cooperação nuclear entre os dois países, permitindo que os EUA ajudem na construção de instalações nucleares sauditas e dando prioridade às empresas americanas na disputa por contratos. No entanto, não obriga os Estados Unidos a transferirem tecnologia de enriquecimento de urânio.
Além disso, o pacto não inclui salvaguardas essenciais, como a cláusula do “padrão ouro”, que impediria a Arábia Saudita de enriquecer urânio, e o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que ampliaria a fiscalização internacional.
Para que o acordo seja aprovado, ele deve ser revisado pelo Congresso dos EUA, que terá 90 dias para analisá-lo. A decisão pode ser vetada pelo Executivo, e uma maioria de dois terços nas duas Casas do Congresso seria necessária para contrariar um eventual veto presidencial.
A Arábia Saudita busca um programa nuclear para diversificar sua matriz energética, reduzir emissões de carbono e economizar petróleo e gás, atualmente utilizados na geração elétrica. O governo saudita também anunciou planos para enriquecer urânio e produzir “yellowcake”, matéria-prima para combustível nuclear.
Para os Estados Unidos, o acordo representa vantagens estratégicas e econômicas, criando um mercado bilionário para empresas americanas e mantendo a influência sobre o programa nuclear saudita, reduzindo a concorrência de nações como China e Rússia.
Entretanto, especialistas alertam que o enriquecimento de urânio pode ser utilizado para fins militares. Sem salvaguardas, um país que domine essa tecnologia poderia enriquecer urânio em níveis adequados para armas nucleares, aumentando o risco de uma corrida nuclear na região.
A rivalidade entre Arábia Saudita e Irã é central neste debate, com o príncipe herdeiro saudita afirmando que seu país reagiria rapidamente caso o Irã desenvolvesse armas nucleares. Críticos apontam que o acordo pode enfraquecer a justificativa dos EUA contra o enriquecimento de urânio no Irã, levantando questões sobre a coerência da política americana na região.
